Norte de Minas discutem valorização dos frutos do cerrado

A valorização da cadeia produtiva dos frutos do Cerrado será discutida hoje, em Montes Claros, no  “Seminário Meio Ambiente – Extrativismo: as possibilidades do Cerrado mineiro”, a partir das 14h, no Centro Cultural Hermes de Paula. Durante o Seminário, a partir das 16h30, será apresentado o Planejamento Estratégico do Conselho Pró-pequi, a agenda de atuação de 2019 a 2023 e as perspectivas do grupo. Um dos assuntos a ser debatido é o “Programa Mineiro de incentivo ao cultivo, à extração, ao consumo, à comercialização e à transformação do pequi e demais frutos e produtos nativos do cerrado – Pró-pequi”, criado pela Lei nº 13.965, de 27 de julho de 2001.

De acordo com o professor da UFMG Fausto Makishi, que faz parte do Conselho, a reunião visa apresentar os avanços nas atividades do último ano e os desafios para o novo cenário, a fim de que o Conselho não perca a força nesta fase de transição de Governo. Neste mês, foi publicada uma portaria do Governo Federal que proíbe o corte de Pequizeiro (Caryocar spp.) em áreas situadas fora dos limites do bioma Amazônia, exceto nos casos de exemplares plantados. A portaria representa um avanço, já que a espécie, até então, só estava protegida por lei estadual.

Na agenda estratégica do Conselho, que será apresentada durante o Seminário, estão as ações previstas para os anos de 2019 até 2023. “É um plano ousado, tem onze tópicos que vão desde a estruturação do próprio Conselho, sua governança, sua divulgação, até boas práticas de produção e de sanidade dos produtos”, explica o professor Fausto.

De acordo com o documento, a finalidade é “ampliar a discussão envolvendo a valorização da sociobiodiversidade do Cerrado e da Caatinga e o fortalecimento das populações tradicionais que vivem e trabalham nestes biomas”. Visa também a construção de um projeto de médio e longo prazo que “permitam potencializar as ações de impacto positivo à Política”. A apresentação da agenda será feita pela pesquisadora Sarah Melo, doutoranda em Ecologia na UFMG, que também compõe o Núcleo do Pequi e pelo presidente do Núcleo, Jacy Borges.

O Seminário será iniciado com a palestra “Pesquisa e extensão: importância para o fortalecimento da cadeia produtiva do pequi e frutos do cerrado”. Na ocasião, o professor e Pró-reitor adjunto de Extensão da UFMG, Paulo Sérgio Nascimento Lopes, expõe as ações desenvolvidas pela Universidade que abarcam o tema do extrativismo e do uso sustentável de espécies nativas da flora.

O ICA possui protagonismo no desenvolvimento de pesquisas científicas sobre o pequi e outras espécies nativas do Cerrado e da Caatinga. Há cerca de 20 anos, professores e estudantes buscam conhecer o desenvolvimento das espécies e métodos de propagação de mudas das plantas, que ainda não são domesticadas.

Outro fruto nativo que é foco dos estudos é o coquinho-azedo. “Nestas pesquisas, conhecemos coeficientes técnicos, que seriam: o quanto a planta produz por ano, qual o tamanho médio dos frutos, a qualidade dos frutos, entre outras coisas”, de acordo com o professor, estes resultados contribuem para o estabelecimento de estratégias de manejo das plantas.

Outros estudos são desenvolvidos para a experimentação de tecnologias de manejo e também nas áreas da educação e de conservação ambiental. Também são realizados trabalhos em parceria com o professor Leonardo Ribeiro da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Às 15h30, está programada a apresentação do panorama da cadeia produtiva do pequi no Norte de Minas Gerais pelo técnico do Laboratório de Óleos do ICA, Teddy Marques de Faria. Será lançado o projeto “Melhoria no sistema de gestão da produção e da qualidade dos produtos nas unidades de processamento de frutos nativos e da agricultura familiar do Norte de Minas Gerais”. De acordo com Teddy, o projeto terá a duração de dois anos e envolverá professores e estudantes de diferentes áreas e está alinhado com a Agenda Estratégica do Conselho Pró-pequi.

“Vamos trabalhar com quatro pilares: pessoas, organizações, qualidade e empreendedorismo. Dentro desses quatro pilares, vamos produzir informações mediante ações, como capacitações. Serão realizados diagnósticos e, de acordo com as demandas levantadas, vamos dar assistência à produção, principalmente para melhorar a qualidade do processo de produção, a formulação de protocolos e o levantamento de informações dos produtos, entre outras ações”, explicou Teddy.

O professor Fausto, que também faz parte da equipe, explica que uma das propostas é reunir dados e indicadores para monitorar o impacto de projetos extrativistas. O foco do projeto serão o pequi e a macaúba e os estudos vão contemplar 15 empreendimentos que compõem o Núcleo Pró-pequi.