Ação ambiental coletou duas caminhonetes de lixo em parque

Os funcionários do Parque Estadual de Grão Mogol, na cidade do mesmo nome, fizeram essa semana uma ação educativa para incentivar o respeito ao meio ambiente, em comemoração aos 22 anos da unidade de conservação. Os servidores do parque fizeram um mutirão de limpeza nos 13 quilômetros da MG-307 que ligam a cidade de Grão Mogol à área verde gerenciada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). O resultado foram duas caminhonetes cheias de lixo, mostrando o tamanho do desafio na conscientização das pessoas que ainda insistem em jogar resíduos, especialmente, pela janela dos veículos.

A ação, que observou todos os cuidados por conta da pandemia de Covid-19, com uso de máscaras e distribuição de álcool gel, contou com a participação de sete funcionários do parque e seis brigadistas temporários. Foram recolhidos todos os tipos de materiais encontrados às margens da rodovia, como pneus, materiais plásticos e papelão. As duas caminhonetes foram usadas para transportar os resíduos até o caminhão da coleta de lixo municipal, que terminou o transporte para o aterro sanitário de Grão Mogol.

Segundo a gerente do parque, Débora Mendes Guedes, essa ação acontece com frequência e tem o objetivo de chamar a atenção das pessoas. “Normalmente usamos para fomentar a educação ambiental. É comum tirarmos fotos e mostrarmos para as crianças, para explicar que o lixo tem que ser guardado e jogado nos lugares apropriados. Precisamos mudar esse comportamento”, afirma a gestora da unidade.

 

Missa em ação de graça

 

Outra iniciativa para comemorar o aniversário do parque foi uma missa com moradores da comunidade de Extrema, que fica no entorno da unidade. A celebração também foi restrita e com atenção aos protocolos exigidos para prevenção à Covid-19. A missa ocorreu no último dia 12 para aproveitar a rotina do vilarejo em relação às celebrações religiosas durante o período de pandemia. Por isso, não foi marcada uma comemoração especial, justamente para evitar aglomerações maiores.

De acordo com o monitor ambiental Wéllington Stéfano, o fortalecimento dos laços com o entorno do parque é um dos objetivos da administração, para expandir a consciência ambiental e a importância da preservação ao maior número de pessoas.

Ainda de acordo com a gerente do Parque Estadual Grão Mogol, a unidade chega aos 22 anos com avanços, tais como a proteção de recursos hídricos, fauna, flora, valores culturais, históricos e arqueológicos.

Além disso, ela também destaca a construção de aceiros para prevenção de incêndios florestais, ações de educação ambiental nas escolas do entorno da unidade, contratação de funcionários para melhor gestão, contratação anual de brigadistas temporários no período crítico de incêndios e aquisição de uma propriedade onde existe a espécie endêmica Discocactus horstii, que é um cactos redondo e pequeno, em média com cerca de cinco centímetros de diâmetro. “Ainda temos em nosso horizonte desafios para serem trabalhados, mas contabilizamos vários avanços nos últimos anos”, revela Guedes.

Criado em 22 de setembro de 1998 pelo Decreto Estadual nº 39.906 a unidade de conservação está inserida, em sua maior extensão, na Serra Geral que, na região, é conhecida por Serra da Bocaina. O parque é constituído pelo vale do Rio do Bosque e outros rios menores. O relevo é predominantemente montanhoso, cortado por grandes chapadas como a Chapada do Bosque, que chega a atingir cinco mil metros, a Chapada do Bosquinho e Chapada do Cardoso.

A vegetação da região é rasteira e de pequeno porte, típica de campos de altitude. Nas chapadas predominam os cerrados com suas variações, destacando cerrado baixo, representado por árvores como pequizeiro, a lixeira e o pau terra, entre outras e a caatinga arbustiva com a presença de espécies como bromélias e cactáceas. Os campos de sempre vivas e os vales dos rios do Bosque e Ventania, são pontos marcantes da região. A composição da flora desta região é peculiar, com inúmeras ocorrências de populações restritas àquele ambiente. Destaque para canelas de ema, de grande importância ecológica. Existem, ainda, algumas formações de veredas isoladas, com uma discreta presença de buritis.

A fauna possui algumas espécies consideradas ameaçadas como o lobo-guará, onça parda, jaguatirica, tamanduá bandeira, tamanduá de colete, tatu canastra, macaco sauá, lontra, dentre outras. O Parque Estadual de Grão Mogol está situado na bacia hidrográfica do Rio Jequitinhonha. Os rios, que cortam toda a área do parque, são perenes, mesmo estando em uma região extremamente seca. Daí a importância da preservação dessa área, para garantir a vitalidade de seus cursos hídricos e suas inúmeras nascentes, que alimentam outras grandes bacias hidrográficas. (GA)