Arcebispo critica excessiva humanização dos animais

O arcebispo metropolitano de Montes Claros, Dom João Justino Medeiros Silva, criticou a excessiva humanização da sociedade aos animais, em detrimento de muitas pessoas carentes, pedindo aos fieis que invertam esse fenômeno, pois várias pessoas colocam nomes de seres humanos em cães, mas desconhecem o nome de pobre. A sua homilia foi durante a Missa do Galo, realizada dia 24, às 20 horas na Catedral Metropolitana de Montes Claros, que estava lotada. Na sua mensagem, o arcebispo pediu aos católicos para refletirem sobre a mensagem vinda da manjedoura, pois Jesus nasceu enrolado em faixas, em costume daquela época, porque seus pais, Maria e José, não encontraram lugar para o parto, mas que a manjedoura tem a mensagem de que o Salvador entrou para a história pela porta da simplicidade, pobreza e despojamento.

Ainda na homilia, o arcebispo lembrou que Jesus se fez pobre para nos salvar e mensagem que ele deixou é de uma atenção especial  com os pequeninos e com quem sofre por  falta alimentos, saúde e desassossego do pecado. Dom João Justino citou que em nenhum momento se encontra Jesus desprezando qualquer pessoa ou incitando a violência e agressão, seja física ou verbal. Por isso, afirma que o Natal atual não pode ser celebrado apenas como acontecimento do passado, mas como mistério da fé. Nesse contexto, lembra que várias pessoas, como Jesus, continuam nascendo e as portas estão fechadas e onde quer entrar,  não há lugar para eles, como em  hospitais, creches e mesas, pois o mundo ainda não compreendeu a mensagem da fraternidade deixada por ele.

O seu apelo é para os católicos aproveitarem a noite luminosa  e renovarem o compromisso com Jesus. O arcebispo citou que essa data de 25 de dezembro foi escolhida como do nascimento de Jesus, pois Roma festejava a festa do Rei Sol, quando se sabe que Jesus é o verdadeiro rei.  Ele reforça que temos de aproveitar essa época do ano para despertar a espiritualidade e superação das desigualdades, que fazem portas estar fechadas e muitas pessoas não encontram lugares e serve para todos darem uma passo em direção a partilha, com quem não tem nada e quem tem mais, dividir e humanizar,  pois muitas vezes há apego a concepções moralistas, incorporadas ao longo da fé Crista, que distancia os fieis do evangelho.

Nesse aspecto, ele lamentou que esteja ocorrendo uma espécie de  humanização dos animais e os católicos devem entender que as pessoas  precisam ser tratadas como pessoas e não  confundir o animais como pessoas. Do, João Justino considera isso um grande desafio  e a sociedade  corre risco de inverter essa ordem da criação, ao priorizar os animais, cuidando deles como pessoas, os fazendo domésticos, mas nega a mesma relação com as pessoas. Ele considera esse fato um fenômeno da sociedade, onde são dados nomes de pessoas aos animais, enquanto não se sabe o nome de pessoas que vivem em situação precária.