Deputado critica verba que incentiva à aprovação da Reforma da Previdência

O deputado federal Paulo Guedes, do PT de Montes Claros, criticou o Governo Federal pela  liberação de  R$40 milhões em emendas para cada deputado federal que votar a favor do projeto da reforma da previdência. Em vídeo postado nas redes sociais, gravado no plenário da Câmara dos Deputados, Paulo Guedes explicou que na terça-feira (9) ocorria grande articulação de deputados se inscrevendo para a sessão, mas que, pessoalmente, procuraria impedir a aprovação do projeto. “Se a reforma fosse uma coisa boa, o Governo não precisaria comprar votos” – explica o parlamentar norte-mineiro.

Na sua concepção, a compra dos votos pelo Governo é a prova  de que a reforma da previdência é contra o povo e isso se evidenciava no momento em que o Diário Oficial publicou a liberação de R$1,3 bilhão em emendas para os deputados destinarem recursos para sua base. Paulo Guedes alertou a classe trabalhadora para acompanhar a votação, pois afirma que os mais pobres serão prejudicados.  O deputado criticou o Governo, afirmando que eles condenavam a velha política, mas repetiam os atos da velha política, ao comprar os deputados.

O jornal Folha de São Paulo denunciou que o Governo ofereceu R$40 milhões para cada deputado que votar a favor desse projeto, sendo R$10 milhões por ano. Atualmente, cada deputado federal tem R$15,4 milhões em emendas e, com os R$10 milhões em cada ano, passará para R$25,4 milhões. Como são quatro anos de mandato, cada deputado terá R$101,6 milhões ao todo de 2019 a 2022.

Na véspera da votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara, o governo abriu caminho para a liberação de verbas em busca de votos para aprovar a proposta. De acordo com levantamento da ONG Contas Abertas, só nos primeiros cinco dias de julho, foram empenhados R$2,551 bilhões. A cifra é maior do que a observada em todo o ano até junho: R$1,77 bilhão. O valor também é o mais alto empenhado para meses de julho ao menos desde 2016. O empenho vale como uma garantia de que os recursos serão efetivamente liberados.