Grande Village protesta contra falta de ônibus para alunos

Aproximadamente 700 alunos da rede estadual dos conjuntos habitacionais Minas Gerais, Monte Sião I, II, IV e Recanto das Aguas, onde residem 2.000 famílias de Montes Claros, estão sendo obrigadas a andar de cinco a 10 quilômetros a pé, todos os dias, para estudarem ou então pagar R$40,00 cada para terem direito ao transporte em ônibus alugados. A situação foi discutida ontem à tarde, em audiência no Ministério Público, com a promotora Valmira Maia, da Curadoria da Infância e Juventude. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais marcou audiência para esse mês, buscando resolver o impasse.

Todo problema teve início em 2016, quando várias famílias foram  assentadas nos conjuntos habitacionais, muitas delas saindo da zona Sul para residir na zona Norte da cidade. A alegria de morar na casa própria se transformou em preocupação quando se constatou que não existem escolas e creches para receberem esses alunos. As escolas municipais Doutor Joao Valle Mauricio e Du Narciso receberam os alunos da rede municipais, enquanto os alunos da rede estadual foram distribuídos nas escolas Américo Martins, Professora Dilma Quadros e Helena Prates, mas sem direito ao transporte escolar. Desde o ano de 2014 Montes Claros suspendeu o convênio com o Estado para os alunos da rede estadual.

O líder dos moradores do Recanto das Águas, Daniel Rocha Batista, confirma a situação caótica das famílias que têm alunos na rede estadual, pois lembra que quase todas as famílias são carentes e sobrevivem com a ajuda do Bolsa Família. Por isso, quem ganha no máximo R$200,00 por mês não consegue pagar R$40,00 pelo ônibus de cada aluno. Na semana passada, os seus dois filhos ficaram dois dias sem estudar, pois ele não tinha os R$80,00 do aluguel do ônibus. Ele tomou a iniciativa de protocolar no Ministério Público um pedido de ajuda, pois não quer ser responsabilizado se seus filhos desistirem dos estudos.

Em correspondência encaminhada ao deputado Zé Reis, o subsecretário de Administração do Sistema Educacional, Ricardo Lopes Martins, transferiu a responsabilidade para a Prefeitura de Montes Claros, pois informa que a oferta do transporte escolar é normatizada pelo Programa Estadual de Transporte Escolar, que transfere os recursos aos municípios para os alunos da zona rural. A desinformação surpreendeu, pois os bairros são na área urbana da cidade e não em zona rural.