Índice de produtividade gera polêmica e constrange professora

A Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Montes Claros (Adunimontes) manifestou apoio à professora Claudia Maia e nota de repudio ao pró-reitor de pós-graduação André Sena, por causa dela não ter aplicado a Declaração do Índice de Produtividade (Indprod), criada por meio de portaria para que os coordenadores de pós emitam declaração classificando os professores segundo seu desempenho. Pelo Indprod, o docente deve ser classificado com os conceitos “Bom”, “Muito Bom” e “Regular”.  Os coordenadores discordam da portaria, alegando que esse tipo de avaliação é desrespeitoso e fere o princípio da isonomia.

Em um e-mail enviado à professora e compartilhado com todos os programas de pós-graduação da universidade, Sena adota um tom de deboche e é desrespeitoso com a coordenadora ao sugerir como ela deve avaliar o desempenho do corpo docente; além de revisar a avaliação anterior (informando a correção de problemas), subestimando a capacidade e o conhecimento da professora acerca da avaliação do próprio programa. Ao final ele ainda assina como se fosse ela.  André Sena ficou irritado com o fato da coordenadora não ter utilizado o Indprod na sua declaração. Em resposta, Claudia Maia reiterou que - sob pena de sofrer sanções civis, administrativas e criminais previstas na legislação aplicável - não utilizará o índice, por não ter encontrado nenhuma referência a ele em documentos referentes à área de História na universidade.

A Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes) repudiou a atitude desrespeitosa e a exposição do PPGH a toda universidade. A postura do pró-reitor gerou protestos dos professores e uma nota de repúdio do colegiado do programa. Os professores lembram que, mesmo em condições adversas, os pesquisadores e as pesquisadoras têm se dedicado ao aprimoramento de seus índices de produção acadêmica, tendo em vista as exigências de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em nível nacional.

Segundo o colegiado, o acompanhamento desses índices por parte da pró-reitoria de pós-graduação tem sido desastroso e continuamente desrespeitoso com todo o corpo docente do programa, de modo especial o tratamento direto do pró-reitor à coordenadora Claudia Maia, “que tem sido aviltada publicamente em reuniões e e-mails que circulam em todos os programas de pós-graduação da universidade”. Ainda segundo a nota, “desde 2011 o PPGH vem desenvolvendo suas atividades em nível de mestrado com formação contínua de novos pesquisadores e professores, com renovação do seu corpo docente, com projetos de pesquisas financiados por agências de fomento, além dos vários congressos, seminários, simpósios e pesquisas que impactam positivamente a história e a sociedade norte-mineira; atividades desenvolvidas, ao longo dos seus oito anos de existência, sem as condições necessárias ao pleno funcionamento do Programa”. (GA)