Ministério Público impede fusão e FEMC corre risco

A Escola Técnica

O Ministério Público de Minas Gerais reprovou a proposta do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) assumir a Fundação Educacional de Montes Claros, que é mantenedora da Escola Técnica, Colegio Selt e Faculdade de Ciências e Tecnologia de Montes Claros (FACIT) e, com isso, cresceu o risco dessas instituições de ensino paralisarem suas atividades. O Conselho de Administração da FEMC foi convocado para reunião no daí 29 de janeiro, para decidir o rumo da instituição, criada na década 80 pela classe empresarial para formar mão-de-obra para as industriais que estavam surgindo na cidade.

A negociação com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) estavam bem avançadas, onde a Escola SENAI assumiria a instituição, oferecendo cursos técnicos para as novas empresas que estão chegando a cidade, como farmacêuticas e até minerária. O Jornal GAZETA tem acompanhado toda negociação nos últimos cinco meses, mas a pedido da direção da FEMC, sem divulgar qualquer notícia para não prejudicar as negociações. Porém, na sexta-feira, vazou nas redes sociais a informação de risco da FACIT paralisar suas atividades. O Jornal GAZETA tentou falar com os dirigentes, no sábado e ontem, mas sem sucesso.

O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais foi a primeira instituição a manifestar interesse em assumir a FEMC. O seu diretor Renato Cotta explica que a instituição absorveria todos os cursos técnicos, médio e superior, mas desde que não tivesse nenhum passivo. Porém, as conversas foram suspensas, mas podem ser retomadas, pois o fato de ser instituição publica favorece a negociação. Depois foram iniciadas as conversas com a FIEMG/Senai, que poderia assumir apenas os cursos técnicos e de ensino médio. Porém, a fusão das duas fundações não foi autorizada pela Curadoria das Fundações do Ministério Público.

Outra negociação foi realizada com a UnifipMoc, do Grupo Pitágoras, onde os cursos superiores da Facit seriam assumidos pela instituição, garantindo a continuidade das turmas. Porém, no dia 19 de janeiro a FACIT realizou mais um vestibular, demonstrando que continuará funcionando, assim como o Colégio Selt. Uma das propostas para vencer a crise seria a FEMC vender o seu prédio na avenida Deputado Esteves Rodrigues, onde funcionou a Facit. O imóvel foi avaliado de R$5,3 a R$7 milhões. Isso permitiria pagar o seu passivo, com os acertos trabalhistas. O prédio sediado no bairro São João é da Prefeitura e cedido em comodato.

Criada em 1976, pela Associação Comercial e Industrial de Montes Claros, com a finalidade de qualificar recursos humanos, operacionais e técnicos, necessários à implantação do Parque Industrial Norte Mineiro, a Fundação Educacional Montes Claros – FEMC  , entidade de direito privado, sem fins lucrativos, instalou naquele ano a Escola Técnica, com os cursos de Comercialização e Mercadologia, Eletrônica, Eletrotécnica e Mecânica. Posteriormente, foram implantados os cursos técnicos de Topografia, Eletromecânica, Edificações e Segurança do Trabalho. Dirigida por empresários, representantes das empresas mantenedoras, a instituição cresceu ao longo dos anos de acordo com seu lema: “Qualificar o homem ao Norte das Gerais”.

Em 1990, através de auditoria realizada, a OIT e a UNESCO certificaram e passaram a divulgar em todo o mundo a qualidade do trabalho em educação profissionalizante que se realizava na instituição, e o modo “sui generis” de financiamento da educação de carentes, por parte das empresas. No ano de 2001, com empenho da atual diretoria, presidida pelo Dr. Ariovaldo de Melo Filho, foram investidos mais de R$ 3.500.000,00, na reestruturação e expansão da estrutura física e laboratorial da Escola Técnica. Em 2002 o MEC considerou a Escola Técnica modelo e solicitou o seu projeto pedagógico, para encaminhá-lo a ONU, como referência nacional em Educação para o Trabalho.