Montes Claros na lista negra do “Trabalho Infantil”

João Vitor e Samuel Cristian abordaram o trabalho infantil

A cidade de Montes Claros apresenta oficialmente 1.750 crianças que estão no trabalho infantil, que a coloca entre as cidades brasileiras com maior índice de crianças nessa situação, segundo relato da procuradora Cibele Cota, do Ministério Público do Trabalho, durante a abertura do Seminário sobre o PETI, realizado ontem no auditório da Universidade Estadual de Montes Claros. Porém, os dados já estão superados, pois a Prefeitura de Montes Claros estima aproximadamente 2.061 crianças. Na sua palestra, a procuradora cita que foram selecionadas 1.000 cidades brasileiras.

Para reverter essa situação, a procuradora Cibele Cota afirmou que precisam ser adotadas algumas medidas, entre elas, criação de uma rubrica no orçamento municipal para esse tipo de atividade, pois entende que as crianças e adolescentes são prioridades. Também sugeriu a capacitação continua de todos agentes que atuam nessa área, como a que foi realizada ontem. Nesse aspecto, cobrou a realização do diagnóstico, que levantará a realidade da cidade. A procuradora explicou ao jornal GAZETA que existe uma grande quantidade de crianças e adolescentes trabalhando em serviços domésticos, quando isso é proibido até os 18 anos.

A pesquisa oficial, realizada pelo IBGE, aponta que das 1.750 crianças flagradas na cidade, 605 são da área de comércio de reparação de veículos, 291 na agricultura, 242 em serviços domésticos, 144 na construção civil, 103 do setor de alimentos e alojamentos, 98 na indústria de transformação e 207 em várias atividades. Na abertura dos trabalhos, a diretora de assistência social de Montes Claros, Kênia Medeiros denunciou que a sociedade passiva acaba estimulando o trabalho infantil ao comprar balas e outros produtos de crianças nas esquinas ou em bares.

O vereador Cláudio Prates, presidente da Câmara Municipal, citou que muitas crianças e adolescentes são soldados do tráfico, cooptados pelos traficantes. O secretário municipal Aurindo Ribeiro cobrou a união da rede para enfrentar o fim do trabalho escravo infantil na cidade. Para isso, ele salienta a importância da sociedade, que não pode ser omissa, de ver uma criança ou adolescente no trabalho e não denunciar. Um dos momentos mais emocionantes foi quando João Vitor Cardoso e Samuel Cristian Magalhães, de 7 e 8 anos, que são da Casa de Convivência do Maracanã simularam o uso de crianças no trabalho infantil, como na venda de produtos como pipocas. (GA)

O Coral JABS tocou no evento