Moradores do Jardim Olímpio ameaçam construção da APAC

A audiência pública
Foto: GIRLENO ALENCAR

Os moradores do bairro Jardim Olímpio ameaçaram obstruir de todas as formas possíveis a construção da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) naquele local, pois afirmam que ao comprarem os lotes, foram informados que no local seria instalada a sede do Batalhão dos Bombeiros Militares e do SAMU. Eles pediram ao juiz Geraldo Anderson de Quadros, da Vara de Execuções Penais, que direcionasse os R$2 milhões liberados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais para a construção de uma escola ou posto de saúde no bairro. Se Montes Claros não iniciar as obras da APAC ate fevereiro, corre risco de perder a área de 19.500 metros quadrados e em consequência, os recursos.

A audiência realizada pela Câmara Municipal foi tensa, pois vários moradores ocuparam o plenário, com faixas anunciando que não aceitavam a obra no bairro. Os dirigentes da APAC ainda trouxeram diretores e internos das unidades apacianas de Januária e Pirapora, que deram depoimentos sobre o funcionamento. Porém, os moradores recusaram os argumentos e anunciaram que de todas as formas, lutarão para impedir a obra. O juiz Geraldo Anderson mostrou que é solidária a causa dos moradores, mas que se eles conhecessem o sistema APAC mudariam de opinião. Ele lembra que Montes Claros tem 1.900 pessoas presas nas unidades prisionais.

O morador Gilson Lacerda, policial reformado, explicou que mesmo com o sistema APAC sendo apontado como exemplo no sistema prisional, os moradores correrão risco de algum preso quebrar as regras e por isso, fez apelo para respeitar a vontade da população que não pretende a unidade no bairro. Ele afirma que na época da doação do terreno, o local era considerado como área rural. Agora tem casas e quem comprou os terrenos não foram informados de que seria instalada uma APAC. Outros moradores reclamam que o bairro não tem nenhuma infraestrutura para atender os moradores.

A defensora publica Liliane Fonseca foi mais enfática, ao citar que a sociedade cobra as políticas publicas e a ressocialização dos presos, mas recusam sediar essas unidades nas suas imediações. Citou que os resultados alcançados na APAC são otimistas e mostram a recuperação de quem cumpre pena no local. (GA)