MP anuncia tolerância zero contra carne clandestina

O promotor Felipe Caires com o empresário Nildo Leite

O Ministério Público anunciou Tolerância Zero contra a carne clandestina em Montes Claros e, por isso, qualquer açougue ou outro estabelecimento comercial que foi flagrado vendendo a carne sem a procedência de abate terá o dono encaminhado a Delegacia de Polícia, o produto apreendido e ainda aplicada  multa. O promotor Felipe Gustavo Gonçalves Caires, da Curadoria do Consumidor, explica que acabou a fase de sensibilização, como ocorreu nas três primeiras fases. Por isso, proporá um Termo de Ajustamento de Conduta para cada açougue afixar uma placa informando de onde veio a carne que está vendendo.

O empresário Nildo Leite, do único frigorífico de bovinos em Montes Claros, denunciou para o promotor Felipe Caires que ainda são abatidos 80 cabeças de gado de forma clandestina na cidade, enquanto apenas 60 cabeças são abatidas dentro dos padrões exigidos pela vigilância sanitária. O promotor falou para ele que dentro da cidade de Montes Claros cresceu a quantidade de abate legal, mas na zona rural ainda existe problemas. A audiência pública teve uma falha: nenhum açougueiro foi convidado para as discussões. Apesar de aberto o espaço para qualquer membro da comunidade se manifestar, nenhum dos açougueiros falou.

O engenheiro agrônomo Reinaldo Nunes de Oliveira, que foi coordenador regional da Emater, apresentou a proposta do Abatedouro Móvel como uma forma de resolver o problema para os pequenos produtores. Citou que o abate clandestino ocorre com crueldade, pois é aplicado golpe de marreta na cabeça do animal. Petrônio Ramos, da Secretaria Municipal de Agricultura, salientou que um abatedouro móvel custa R$900 mil e a meta seria dois abatedouros na cidade. Marco Túlio, do Instituto Mineiro de Agropecuária, contestou que essa seja uma alternativa para o problema, pois existem providências a serem adotadas.

O empresário Nildo Leite foi direto ao assunto: o abate clandestino de animais ocorre para quem pretende ficar sem pagar impostos, pois o abate no seu frigorífico oscila de R$85,00 a R$100,00, que está dentro da realidade. Lembra que o animal é abatido com equipamento pneumático, sem crueldade, onde cada um custa R$15 mil. Ele desafiou quem desejar matar os animais em sua empresa por um mês, para servir de experiência.