Protesto cobra transporte para alunos em Montes Claros

Os moradores dos conjuntos habitacionais Monte Sião e Minas Gerais, no Grande Village do Lago, realizaram protesto na noite de quarta-feira contra a falta de transporte para os alunos da rede estadual que residem ali, mas são obrigados a cruzar quase toda cidade para estudar. O problema vem ocorrendo desde o ano passado, quando o conjunto Monte Sião IV foi liberado, mas sem educandários. A assistente social, Ayran Andrade, explica que foram tentadas negociações, mas sem êxito. Na hora do protesto a secretária estadual de Educação, Júlia Figueiredo Goytacaz Sant'Anna, estava em Montes Claros, mas não abordou o assunto.

O município de Montes Claros apresenta um aspecto curioso: é o único do Norte de Minas onde os alunos da rede estadual são transportados por empresa contratada pelo Estado, desde 2014, depois que a Prefeitura se recusou a fazer o convênio. Nos outros municípios, os alunos das redes municipal e estadual usam o mesmo veículo, com o Estado repassando os recursos às Prefeituras. Porém, em 2018 o Estado deixou de pagar cinco das 10 parcelas, afetando os municípios. Na reunião realizada na Superintendência de Ensino em Montes Claros, Julia Santana não deu nenhuma esperança de quando será feito o pagamento do atrasado.

O protesto fechou a rua de acesso ao conjunto habitacional, mas os ônibus do transporte coletivo, ambulâncias e viaturas foram liberados para trafegar. Os ônibus que fazem o transporte escolar dos alunos da rede municipal, depois de deixarem as crianças, foram parados na mobilização. O protesto reuniu as famílias dos conjuntos Minas Gerais, Monte Sião e Monte Sião 4 e o objetivo foi chamar a atenção do poder público, pois várias crianças que estudam nas escolas estaduais estão há dois meses com dificuldades de frequentar. A Prefeitura alegou para os organizadores que faz um favor de levar as crianças da rede estadual para escola.

Porém, as famílias alegam que  o Estatuto da Criança e Adolescente no seu artigo 53 garante o direito igualitário de acesso à escola e que toda criança e adolescente tem direito de uma escola perto de sua residência. Este não é o caso dos conjuntos habitacionais de Montes Claros, pois eles não têm educandários suficientes para atender à população. Outra preocupação é com os monitores dos ônibus, pois, no dia do protesto, uma criança de aproximadamente seis anos dormiu dentro do ônibus e foi levada para a garagem. Os pais ficaram desesperados. No Monte Sião 4, que tem um CEMEI, as mães fizeram o cadastro das crianças e até hoje ele não abriu e as crianças precisam ir para escola para as mães poderem trabalhar.