Rebelião provoca adiamento das obras do córrego do Cintra

A ordem de serviço para as obras de urbanização do Córrego do Cintra, em Montes Claros, foi adiada por causa de dois impasses: o primeiro foi devido às suspeitas de que a empresa Cros Engenharia estava impedida de assinar contratos com a Prefeitura de Montes Claros por causa de ordem judicial; o segundo foi por ciúmes por parte de vereadores, cada um querendo capitalizar eleitoralmente a obra. A solenidade estava marcada para ontem (11) às 17 horas e foi adiada para amanhã (13). Ontem o assunto repercutiu na reunião da Câmara Municipal, com todos os vereadores direcionando os seus ataques ao vereador Edmilson Magalhães, que reside no bairro Cintra e tinha convidado toda população para o evento de ordem de serviço.

A urbanização de trecho do Córrego Cintra será de 1,4 quilômetros de extensão em duas vias, dando um total de 2,8 quilômetros. A Cros Engenharia venceu a licitação por R$5. 359.562,88, depois de oferecer um desconto de R$1.229.956,39. O trecho será entre as avenidas Dulce Sarmento e Coronel Luiz Maia, a previsão é de 24 meses de obra. O Córrego Cintra corta toda a cidade, com 15 quilômetros de extensão, mas com apenas dois  trechos urbanizados até agora, entre as avenidas Dulce Sarmento e Governador Magalhães Pinto, e na Praça das Tilápias. No ano de 2017 os moradores lançaram o projeto Cintra Vivo, que cobrou a urbanização do local.

Desde a semana passada que a Prefeitura de Montes Claros foi alertada de que a Cros Engenharia estava impedida de executar qualquer obra com a Prefeitura de Montes Claros, depois de ser condenada pelo juiz federal Wilson Medeiros, da Justiça Federal de Montes Claros, por improbidade administrativa nas obras do Estádio Municipal de Montes Claros, em 2001. No mês de outubro de 2015 saiu a condenação judicial, que impedia a empresa de prestar serviços por três anos. A ação foi para o Tribunal Federal, em Brasília, por causa de recurso, entretanto, os três anos acabaram em outubro de 2018. Na segunda-feira (11) a Prefeitura recebeu a cópia da decisão judicial.

Aliado a isso, os vereadores de Montes Claros, liderados pela vereadora Maria Helena Lopes, secretária da Câmara Municipal, se rebelaram contra o prefeito Humberto Souto quando assistiram ao vídeo do vereador Edmilson Magalhães convidando a população para a assinatura da ordem de serviços. Na reunião ordinária de ontem, o vereador Raimundo Pereira, que também reside no bairro Cintra, acusou o ato de trapaça ao querer ser dono da obra. Edmilson Magalhães assumiu a carapuça e usou a tribuna para informar que fez isso por orientação da assessoria política do prefeito Humberto Souto, mobilizando a população e agora se passa por mentiroso.

O vereador Ildeu Maia reforçou a acusação afirmando que a engenharia política da administração estava agindo de forma errada, pois inaugurou o Parque Municipal Cândido Canela sem permitir que o vereador Wanderley Lega Oliveira, autor da iniciativa e morador do local, fizesse discurso.

Assim como deu a ordem de serviço para a Unidade Básica de Saúde do Edgar Pereira, em projeto de sua iniciativa e viabilizada pelo deputado Gil Pereira, sem lhe dar a chance de discursar.