Verde Grande alcança menor índice de toda história

Wilde Cardoso leu os dados catastróficos

O rio Verde Grande está com a sua menor vazão em toda sua história, com apenas 100 litros por segundo e lamina d’água de 18 centímetros, nas proximidades da cidade de Verdelândia, quando o comum é ter 64 centímetros e 1.000 litros por segundo. O relatório foi apresentado ontem de manhã, em Montes Claros, por Wilde Cardoso, da Agência Nacional de Águas, durante a audiência da Comissão da Crise Hídrica da Câmara dos Deputados. Ele alertou que o risco de uma tragédia na Barragem do Bico da Pedra, em Janaúba, é muito grande, pois se não ocorrer chuvas até abril de 2018, terá que suspender a irrigação para a fruticultura e, com isso, mais de 40.000 empregos sendo suspensos no Norte de Minas.

A audiência pública reuniu apenas os deputados Adelmo Leão, Raquel Muniz e Wellinton Prado. No evento, Laurindo Santana, presidente da Loja Maçônica Deus, União e Trabalho, leu o manifesto do Grande Oriente do Brasil-Minas Gerais, que cobra a retomada das obras das barragens de Berizal e Jequitaí e, ainda, o início das obras da Barragem de Congonhas. O manifesto cobrou providências imediatas em busca de uma solução para a seca no Norte de Minas e mais especificamente no racionamento de água em Montes Claros. O superintendente da Copasa no Norte de Minas, Roberto Luiz Botelho, reforçou a importância de trazer água do rio Pacuí para Montes Claros e mostrou que foi iniciado estudo para puxar a água do rio São Francisco, em Ibiaí, em investimento de R$188 milhões e uma adutora de mais 90 quilômetros, que se somarão aos 54 quilômetros da adutora do Pacuí.

Na sua palestra, Wilde Cardoso explicou que o semiárido mineiro é o mais povoado de todo mundo e que a região quebra desafios, como ser o maior produtor de bananas. Lembra que desde 1996 o Governo passou a estabelecer normas para o rio Verde Grande, por causa da grande exploração de água. Ele salientou ainda que foram programadas mais de 12 barragens para recuperar o Verde Grande, mas nenhuma obra saiu do papel. A esperança agora é a Barragem de Congonhas, que perenizaria o rio Verde Grande.

O secretário-executivo da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene, Ronaldo Mota Dias, alegou que a situação do Norte de Minas é provocada pela falta de força política. Ele propôs que o Governo use os recursos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) para financiar a construção de pequenas barragens para os produtores rurais, com taxas de juros atrativas, como forma de segurar as águas das chuvas. Ele lembra que somente isso seria suficiente para conter a perfuração excessiva de poços, que transformam a região em tabuleiro de palito.

Laurindo Santana leu o manifesto da Maçonaria