Debate à tarde e Noite Especial são os destaques desta quinta no Psiu Poético

Seguem a todo o vapor as intervenções artísticas do 32º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético “Mákina”, na cidade de Montes Claros. Nesta quinta-feira, é grande a expectativa de artistas e participantes para um dos momentos mais esperados: a noite especial com os seis homenageados: Patrícia Porto; Sóter; Gabriela Mendes de Souza; Bruno Candéas; Míria Gomes e Rita Santana.

Na parte da tarde, às 15h, acontece o debate “A Poesia Contemporânea Brasileira: Invenções & Dificuldades”, com a presença do sexteto homenageado e sob a mediação de Tida Carvalho.

Já à noite, às 20h, novamente no auditório Cândido Canela, no Centro Cultural Hermes de Paula, terá início o momento especial com os seis artistas. Haverá intervenções literárias, leituras de poemas e lançamentos de livros.

A reportagem Gazeta entrevistou a homenageada Patrícia Porto, que é de São Luís do Maranhão; além do escritor Deomídio Macêdo; da poetisa Cláudia Cardoso; e da jovem poetisa Maria Eduarda, que é estudante da Escola Estadual Professora Dilma Quadros, daqui de Montes Claros.

 

Patrícia Porto

A homenageada Patrícia Porto, além de poetisa e escritora, é também professora e falou um pouco sobre a sua participação nesta 32º edição do Salão Nacional de Poesia.

“O quê me tocou mais nesses momentos, e que realmente me deixou emocionada e profundamente cativada, é que o Psiu é vida. A Literatura é vida, e o quê eu vi aqui, o quê eu pude acompanhar, é essa vida pulsante, essa Literatura de fato viva. Nós temos a ‘Literatura dos mortos’, dos poetas que já se foram, e os temos como nossa fonte, nossa referência, mas o quê o Psiu faz e trazer, homenagear e comungar com os poetas vivos. Isso, inclusive, acaba trazendo os poetas mortos com uma nova vida”, afirmou.

“Isso é importantíssimo enquanto movimento literário, sobretudo por ser um movimento nacional. O Psiu não é um simples evento, ele move, mobiliza, comove, e faz com que as pessoas se desloquem dos seus lugares, saiam deste ‘ficar consigo mesmo, num mundo fechado’, que, muitas vezes, parte até de métodos de ensino fechados, de escolas que querem falar de Poesia sem dar a abertura que o tema exige”, acrescentou.

“Essa forma viva, criativa, pulsante e dinâmica com a qual se pensa a Poesia acaba por agregar todas as artes, e isso é fundamental para pensarmos na formação do leitor brasileiro e dos novos professores. Eu, por exemplo, sou professora de novos professores, então vou usar, sim, desta experiência que tive aqui. O Psiu é para ser usado como exemplo de algo que dá muito certo, o quê é importantíssimo em um país como o nosso”, finalizou.

 

Deomídio Macêdo

Outro escritor com quem falamos foi Deomídio Macêdo, que lançou seu livro “Alameda do Bosque Azul” durante o Psiu, na última segunda-feira (8/10). Ele nos contou sobre a sua história com o Salão Nacional de Poesia.

“Eu conheci o Psiu Poético em 2007, quando estudava aqui em Montes Claros e fazia a pós-graduação. Eu apresentava o personagem “O Velhinho Baltazar”, de 90 anos, e que declamava poemas. Eu pedi a um professor, em determinado momento, que eu pudesse apresentar um poema. Ele abriu o espaço e, então, eu declamei o poema “A Saga de um Sertanejo”, da poetisa Terezinha Teixeira, e o pessoal falou que estava acontecendo o 20º Psiu Poético (à época) e que eu procurasse por Aroldo Pereira”, conta Deomídio.

“Eu liguei para Aroldo, sem ainda conhecê-lo, e marquei de ir ao Centro Cultural. E foi então que me chamou a atenção a humildade deste poeta. Eu peguei a fila de acesso ao salão principal, ainda pensando se ele (Aroldo) iria me receber realmente. Quando virei a escada me deparei com um ‘rapazinho’, magro, com uma roupa legal. Perguntei a ele ‘como eu faço para encontrar o poeta Aroldo Pereira?’. Ele sorriu e me respondeu: ‘já encontrou’. E a partir dali Aroldo sempre me recebeu e me tratou com muito carinho”.

Deomídio releva que foi no Psiu que ele começou a se libertar, enquanto escritor. “Foi a partir daquele que eu criei coragem para apresentar a outras pessoas o meu romance “Homem nu vestido de afeto”, que é um romance autobiográfico e, que até então, eu não havia mostrado para ninguém; os próprios amigos poetas foram me incentivando a escrever. Hoje eu já estou no meu quarto livro”, concluiu.

 

Cláudia Cardoso

Já a poeta Cláudia Cardoso veio de Belo Horizonte para o Psiu e, segundo a própria, ela “escreve para escapar de si mesma”. Ainda segundo a escritora, “o evento é um trabalho lindo, que retrata o que de fato é Montes Claros e a região Norte Mineira. O pessoal daqui é todo ele ‘muito poeta’, são músicos, artistas; inclusive, na intervenção no Shopping Popular, na manhã de terça-feira (9/10), foi interessante ver pessoas de várias idades, gente simples, do povo mesmo, sempre surgindo, se evolvendo, declamando... Isso é muito lindo, é algo muito tocante mesmo”, afirmou.

“Fica visível que isso é uma característica deste povo, deste lugar, porque a gente não vê isso em outras regiões. Até encontramos artistas, sim, mas muitas vezes é um grupo pequeno e seleto. Aqui não. Aqui a gente conversa com as pessoas e vemos que são todas muito ligadas e envolvidas com o Psiu em suas mais diversas manifestações artísticas”.

 

Maria Eduarda

A estudante e escritora Maria Eduarda está apenas no 9º ano do ensino fundamental, mas já é poetisa de longa data. “Eu escrevo desde os meus nove anos, mesma idade em que eu comecei a participar do Psiu, a partir do Projeto Poesia Circular, que é quando os poetas visitam as escolas”.

“Eu sempre fui incentivada a ler. Minha mãe e irmã leem bastante, mas, ainda assim, antes eu tinha a leitura como uma obrigação, e não gostava muito. O Psiu mudou isso. Eu amadureci, tenho lido mais, escrito mais, e isso me ajudou muito, inclusive com a minha timidez, já que agora eu não tenho mais problemas para falar em público. Acho tudo no projeto muito interessante”, finalizou a estudante.