Iepha-MG comemora Dia do Patrimônio Cultural com extensa programação

Os espaços para produção dessas farinhas são base do
sustento de muitas famílias e comunidades

A cozinha é um lugar carregado de sentidos, memórias, histórias e referências de um povo e de sua cultura. Para comemorar o Dia do Patrimônio Cultural 2019, com tema “Cozinha e Cultura Alimentar”, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte, recebe, entre 13 e 18 de agosto, diversas atividades gratuitas. Realizado pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), por meio do Iepha-MG, em parceria com APPA-Arte e Cultura, o evento conta com uma extensa programação e reúne pesquisadores do Brasil, de Portugal, da Colômbia e do Chile. Além de mesas-redondas, oficinas, feiras, intervenções urbanas e exposição de fotografias, haverá também o circuito gastronômico, com participação de bares e restaurantes da capital.
A proposta é ocupar a Praça da Liberdade e seus arredores com várias atividades realizadas em conjunto com os equipamentos do Circuito Liberdade e com outros parceiros. Nos dias 24 e 25 de agosto, a Fazenda Boa Esperança, em Belo Vale, também recebe programação cultural e uma feira de produtos típicos das comunidades tradicionais da região.
Como destaca a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, o Dia Nacional do Patrimônio Cultural, comemorado em 17 de agosto, homenageia o  nascimento de Rodrigo Melo Franco, mineiro, pioneiro na formulação e implementação da política pública de reconhecimento da diversidade da cultura nacional. “Em comemoração a esta data, o Iepha-MG promove no mês de agosto, em todo o estado, e em parceria com os municípios, a Jornada do Patrimônio Cultural. Especialmente em BH, no Circuito Liberdade, temos uma semana de ações voltadas para o conhecimento e promoção do patrimônio culinário de Minas Gerais”, salienta.
Para participar das atividades, como oficinas, rodas de conversas, mesas-redondas, é necessário fazer inscrição por meio deste site. A programação completa está disponível aqui e nos sites do Iepha-MG e Circuito Liberdade.

Farinhas

Durante as comemorações, o Iepha/MG lança o projeto de “Inventário Temático das Farinhas: Moinhos de Milho e Casas de Farinha em Minas Gerais.” O objetivo é identificar os locais de produção, produtos e produtores desses importantes farináceos que são base da alimentação de grande parte dos mineiros. Espera-se que prefeituras, pesquisadores e sociedade em geral participem desse levantamento de forma colaborativa, por meio do preenchimento do cadastro disponível no site do Iepha. Ao final da pesquisa, serão propostas medidas de proteção e salvaguarda desses bens culturais. A previsão é que o estudo seja concluído no final de 2020.
Os espaços para produção dessas farinhas são base do sustento de muitas famílias e comunidades e funcionam como ponto de encontro e de sociabilidade de pessoas que trabalham e utilizam esses lugares coletivamente e que ali mantém seus ofícios e tradições. A importância desses saberes e espaços motivou o Iepha/MG a iniciar as pesquisas para identificar os Moinhos de Milho e as Casas de Farinha como patrimônio cultural de Minas Gerais.

Rodrigo Melo Franco

Rodrigo Melo Franco de Andrade nasceu em 17 de agosto de 1898, em Belo Horizonte. Estudou em Paris e conviveu com intelectuais, escritores e artistas plásticos, como Graça Aranha, Tobias Monteiro e Alceu Amoroso Lima, entre outros. No Brasil, dedicou-se ao curso de Direito, iniciado na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Aproximou-se de Aníbal Machado - que o estimulou a se dedicar à literatura -, assim como  de outras personalidades públicas  e intelectuais como Milton Campos, João Alphonsus, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Abgar Renault e Oswald de Andrade, entre outros.
Em 1937, Rodrigo Melo Franco de Andrade assumiu a direção do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) e, durante 30 anos, dedicou-se à preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. A proteção dos bens culturais do país passou a ser sua atividade principal.
Rodrigo deixou a presidência do Sphan em 1967, mas não se afastou da instituição, permanecendo como integrante do Conselho Consultivo, até sua morte, em 11 de maio de 1969. Inúmeros textos escritos por Rodrigo foram reunidos e publicados, pelo Sphan/Fundação Pró-Memória, sob os títulos Rodrigo e Seus Tempos: coletânea de textos sobre artes e letras (1985) e Rodrigo e o Sphan: coletânea de textos sobre o patrimônio cultural (1987).