Januarense expõe obras no Painel Permanente de Poesia

A poetiza Sarah Thomé tem 22 anos e cursa a faculdade de jornalismo
Foto: ARQUIVO PESSOAL
 

Visitantes têm até esta quinta-feira (28) para apreciar as obras da estudante de jornalismo e poetiza Sarah Thomé, que estão expostas no Painel Permanente de Poesia Juca Silva Neto, na Biblioteca Pública Municipal Doutor Antônio Teixeira de Carvalho, no Centro Cultural Hermes de Paula. E entrada é gratuita.

De acordo com Sarah, as obras são de 2017 e cada uma tem uma história particular entre mim e a pessoa citada. “Seja minha mãe, meu avô, os poetas que eu admiro, os meus autores da adolescência, como José Mauro de Vasconcelos, autor uma vasta obra, como Chuva Crioula, Farinha Órfã, Vamos aquecer o Sol. Através dos livros de José Mauro, eu me senti salva do mundo e reconhecendo um sentimento que ele diz muito, a ternura, que é fundamental na vida do ser humano em evolução”.

Sarah conta que começou a escrever poesia aos oito anos de idade. Já no ensino médio, foi uma professora de português que a incentivou a se aventurar pelo universo da escrita, depois que ler um poema feito por Sarah em uma atividade escolar de rotina dentro da sala de aula. “Disse que ficou muito bom e eu acreditei (risos), desde então não parei de escrever”.

Canceriana e romântica “talvez pelo signo”, a poetiza, que sonha com um mundo com mais livros e menos armas, é natural de Januária, tem 22 anos, e acredita que poesia, assim como a arte, a leitura e os livros, têm o poder de transformar as pessoas, que, por sua vez, têm o poder de transformar o mundo.

“Acredito que existe mais pessoas boas do que más. Acredito no amor filial, animal, carnal e entre amigos. Nós somos carentes de viver em sociedade, com a chegada da tecnologia, isso piorou muito. A gente sai, vai num barzinho, e a galera com celular na mão. Eu acho que as pessoas precisam umas das outras. Mas de verdade. Por inteiro. Sentir a carne, o osso, o toque do outro. Por isso acho tão importante a arte em geral. E a poesia tem o poder de cura”.

Sarah tem como inspiração, nada menos que Carolina Maria de Jesus, Clarice Lispector, Cora Coralina, Simone De Beauvoir e Harper Lee. Entre seus poemas, Sarah destaca o ‘Seu Thomé’, criado em homenagem ao avô, Pedro de Souza Thomé. “É um dos muitos escritos que tenho em homenagem a ele. A criação deste, em especial, foi de lembranças de como ele era quando vivo, na nossa casa em Januária. Ele já tinha 85 anos quando encantou-se e, nós tínhamos uma relação muito boa. Eu fazia a barba dele aos sábados, dava seus remédios de manhã e a noite, já que ele era diabético, e também levava escondido da minha avó, amendoins de chocolate, que eu comprava na escola com as moedas que ele me dava. Era o nosso segredo”.