Caminhoneiros ameaçam nova paralisação a partir desta quarta-feira (4)

Wallace Costa Landim – Chorão

Através de um movimento semelhante ao que antecedeu a greve de maio do ano passado, caminhoneiros de todo o Brasil começam a se articular pelas redes para uma paralisação da categoria a partir desta quarta-feira, dia 4, justamente na semana em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a constitucionalidade da lei do piso mínimo para o frete rodoviário, considerada a principal conquista dos caminhoneiros depois do movimento que parou o país em 2018.

Com o julgamento da lei na pauta desta quarta-feira no STF, os movimentos articulam nova paralização. A ideia, segundo as lideranças do movimento, é que os caminhoneiros não carreguem já a partir desta segunda-feira, dia 2, e que os que já estiverem carregados parem em vigílias em pontos estratégicos como postos de combustíveis ou entradas de portos. Desde a semana passada circulam nos grupos de WhatsApp vídeos de dezenas de líderes dos caminhoneiros autônomos anunciando a adesão dos profissionais de sua região à mobilização nacional.

“Dia 4 de setembro o STF vai votar a nossa dignidade. Então, nosso apelo é para que nos dias 2, 3 e 4 os caminhões não sejam carregados. Simplesmente não carregue, tire esses dias para uma vigília. Se estiver carregado, pare no posto. Vamos mostrar nossa união. Foi assim que vencemos em 2018”, diz Fabiano Careca, um dos líderes do movimento em Minas Gerais, em vídeo que começou a circular no sábado passado, dia 31 de agosto.

Responsável pelo movimento paredista em 2018, o caminhoneiro Wallace Costa Landim, conhecido como Chorão, também tem divulgado vídeo nas redes sociais. “Querem tirar nosso direito, cassando essa nossa lei. O que queremos fazer não é uma greve, mas um protesto. Não vamos carregar o caminhão, vamos aguardar, tirar uma semana para pressionar pela garantia desse piso mínimo. Sem conflitos, sem xingar ninguém, vamos encostar nossos caminhões nos postos de combustíveis, fazer protestos com faixas”, diz Chorão.

Os caminhoneiros já ameaçaram uma paralisação em julho deste ano, após a suspensão pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) da nova tabela do frete. O movimento foi desarticulado com a convocação pelo Ministério da Infraestrutura para um grupo de trabalho em Brasília para negociar valores mínimos para o transporte da carga. A ideia do Ministério era intermediar um acordo coletivo entre caminhoneiros, transportadores e os principais contratantes do frete, como indústria e agronegócio. A possibilidade do acordo animou os caminhoneiros, que recuaram da ideia de greve, mas os setores “embarcadores” acabaram não apresentando sua proposta para o acordo.