Mais de 400 alunos desistiram de estudar por falta de transporte

Um total de 435 alunos de escolas estaduais do Grande Village do Lago, em Montes Claros, parou de estudar por falta do transporte escolar e com isso, cresceu a evasão nas salas de aula da cidade. Os dados foram apresentados por Daniel Rocha Batista, do bairro Recanto das Águas, durante a audiência pública da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizada na noite de sexta-feira na Câmara Municipal de Montes Claros. Ele citou que as escolas tinham 1.550 alunos e agora só com 1.125, com uma grande evasão. Faltando pouco menos de 40 dias para encerrar o ano letivo, outros alunos correm risco de perder o ano letivo. O deputado Zé Reis apresentou requerimento solicitando o cadastramento nas escolas, para identificar essa evasão.

 

A ausência da secretária estadual de Ensino, Julia Santana e da superintendente regional Levimar, além dos promotores de Justiça da Vara da Infância e Juventude foi muito criticada, assim como dos outros deputados do Norte de Minas. O deputado Zé Reis salientou que diante do impasse entre o Estado e Município, a população não pode ser prejudicada e por isso, moveu ação judicial para ser resolvido o impasse e aguarda uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Informou que diante da ausência de representante do Estado, a secretária Julia Santana será convocada e terá que comparecer na audiência a ser realizada em Belo Horizonte. O vereador Daniel Dias, presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal lamentou que os conjuntos habitacionais tenham sido construídos sem escolas e postos de saúde.

O presidente da Associação dos Moradores do Recanto das Aguas, Robson Santos lamentou a ausência do Ministério Público naquele momento, pois afirma que são mais de 400 crianças sem estudar. Daniel Rocha reforçou que as famílias foram tiradas de onde moravam e jogadas nos conjuntos habitacionais sem condições de viverem. A assistente social Airam Andrade lembra que desde o dia 5 de abril tem essa luta foi protocolada no Ministério Público e que o Estatuto da Criança e Adolescentes garante o direito ao ensino. O presidente do Diretório dos Estudantes Secundaristas, Pablo Alves, apontou o prefeito Humberto Souto de ser responsável, ao recusar o pedido para as crianças serem levadas nos ônibus da Prefeitura.

O presidente da Associação dos Moradores do Monte Sião IV, Gilvan Castro acusou o prefeito Humberto Souto e o governador Romeu Zema de insensibilidade e afirma que a falta do transporte além de retirar as crianças das escolas, ainda compromete o Projeto Jovem do Futuro. A presidente do Sindicato das Professoras Municipais, Iara Pimentel acredita que o caminho seja a judicialização da causa e que existe um processo de acabar com a educação publica. Ediane Afonso Soares, presidente da associação do Monte Sião I e II, explicou que muitas crianças estão ficando doentes andando debaixo de forte sol e correm risco de assaltos, por terem que cortar caminho por estrada atrás do Instituto Federal.