Como o Cruzeiro chegou a uma situação desesperadora na Série B e fora de campo

O torcedor do Cruzeiro tem vivido um verdadeiro calvário desde a temporada 2019, e os dias ruins que se iniciaram com o primeiro rebaixamento da sua história à série B do Campeonato Brasileiro, parecem ainda estar longe de chegarem ao fim. Em 2020, o que era para ser uma temporada de recuperação se transformou rapidamente em crise ainda maior.

Depois de ficar de fora da decisão do campeonato mineiro, a Raposa não começou a segundona como um dos candidatos ao título logo de cara, mas ninguém esperava que o time mineiro figuraria no Z4 com o campeonato chegando na metade. Isso mesmo. Além de estar longe da zona de retorno à elite do fute3bol brasileiro, o clube luta contra os “piores” da série B para não cair ainda mais. Para ficar por dentro dessa disputa, aposte com Apostagolos e acompanhe as chances de dada time.

Depois de empatar com o Oeste, lanterna do campeonato, a queda do treinador Ney Franco foi é apenas mais um capítulo num livro de crises que começou com um ano de 2019 muito mal planejado, que poderia ter sido de glória na Libertadores, na Copa do Brasil (da qual o time era o então campeão) e mesmo na primeira divisão do Brasileirão, mas uma série de erros dentro e fora de campo jogaram o time no período mais complicado da sua história.

Mais importante do que fazer uma caça às bruxas e buscar culpados, o mais urgente agora é tentar reverter essa situação tão precária e tão atípica para um gigante do futebol brasileiro que, até pouco tempo atrás, era ainda um dos poucos que podia se gabar de nunca ter sido rebaixado – e que agora pode muito bem cair para a Série C?

Crise sem fim?

Quem pensa que o problema do Cruzeiro é meramente dentro de campo está muito desinformado. Como acontece com qualquer time moderno, a cartolagem está presente e forte nos bastidores, ditando decisões e atitudes, e foi isso que custou ao Cruzeiro o recorde de nunca ter caído.

O Cruzeiro terminou 2018 sorrindo de orelha a orelha, após ter batido o Corinthians na final da Copa do Brasil e ter se classificado com tranquilidade para a Libertadores, além de ter ficado sossegado no Brasileirão. Para o ano seguinte, investimentos bilionários e uma folha salarial de dar medo de tão alta prenunciavam uma catástrofe.

E assim começaram os problemas. Mesmo pagando rios de dinheiro aos atletas, os resultados inicialmente fantásticos na Copa Libertadores e no Campeonato Mineiro deram lugar a sequências sem vitória e o início de uma crise que demonstrou que os investimentos, na verdade, eram de alto risco, com o time tendo adiantado direitos de TV de alguns anos.

A gestão financeira lamentável da Raposa no biênio 2018-19 foi tão feia que alguns dos dirigentes da época podem até ir parar na cadeia, para se ter noção. Com dívidas tão astronômicas e dependendo de demissões de funcionários e até mesmo vendas de equipamentos do clube, a imagem da crise não poderia estar mais nítida.

Todas as fichas em Felipão

Afundado na vice-lanterna da Série B, o Cruzeiro mandou Ney Franco embora e resolveu bancar o retorno do experiente técnico Felipão, que havia treinado a equipe em 2000 e 2001. O técnico pentacampeão com o Brasil estava desempregado desde que foi demitido do Palmeiras, em 2019, e chega para tentar lavar a alma cruzeirense na sua hora mais escura.

A Raposa não sabe o que é vencer na segundona há quatro jogos, triste feito que afundou um time já abatido e punido pela FIFA com a perda de seis pontos antes mesmo de o campeonato ter começado. Mesmo se tivesse com esses seis pontos – equivalente a duas vitórias – o Cruzeiro estaria apenas em 15º, duas posições acima da degola.

O fato é que a coisa está bem feia para o tradicional clube de Belo Horizonte, que tem ainda 22 partidas para tentar escapar da maior humilhação da sua história, que seria cair à terceirona.

Matematicamente falando, a Raposa pode até mesmo ser campeã – basta vencer todos os jogos, literalmente. A realidade, porém, todos sabemos, é bem diferente. O Cruzeiro não conseguiu vencer (ou mesmo vazar) sequer o Oeste, lanterna e pior time da Série B, além de defesa mais vazada de todas.

A esperança é que Felipão consiga aplicar um pouco da sua filosofia consagrada no Palmeiras campeão brasileiro de 2018 para proporcionar dias melhores aos torcedores cruzeirenses, que sabem que estão vivendo o fundo do poço futebolístico.