Audiência cobrou políticas públicas para moradores de rua

A coordenadora Rosana Ramos Costa com o pastor Josimar Xavier

A audiência pública realizada, ontem de manhã, pela Câmara Municipal, para discutir os moradores de rua de Montes Claros, teve dois aspectos interessantes: a ausência dos moradores de rua e ainda dos representantes do Ministério Público e Tribunal de Justiça, que tem o projeto nessa área. Isso esvaziou a discussão e irritou os vereadores Maria Helena Lopes e Idelfonso Araújo, que teceram críticas, pois realizam este evento para discutir os assuntos, mas não comparecem. A coordenadora de pastoral da Arquidiocese de Montes Claros, Sônia Gomes, justificou que o promotor Paulo César Vicente Lima não compareceu por estar em sessão de júri.

Durante o evento, a coordenadora do Consultório de Rua, Maria Clerismar Pereira, que é da área de saúde, propôs a criação de um cadastro único dos moradores de rua em Montes Claros, pois afirma que a saúde tem os seus dados e o setor de Desenvolvimento Social tem outro. O curioso é que as duas secretarias funcionam no mesmo prédio. Ela afirma que o Consultório de Rua tem 840 pessoas cadastradas como moradores de rua, de 2013 até agora, seja pessoas usuárias de drogas ou com transtornos mentais. A coordenadora informa que muitos olham a situação deles apenas como limpeza, quando precisa ser mais profundo.

A pedagoga Rosana Ramos Costa, coordenadora do Centro Pop, que funciona no bairro de Lourdes, explica que estão cadastradas no setor 309 moradores de rua, sendo que uma média de 85 procuram o local para tomarem banho, se alimentarem e lavarem suas roupas. O prédio funciona das 7 às 17 horas, pois o prédio não oferece infraestrutura para dormirem ali. Rosana Ramos afirma que conta com equipe multiprofissional formada por assistente social, psicóloga e educadores para atuarem com os moradores de rua.

O pastor Josimar Xavier do projeto Casa de Acolhimento Amor e Vida, enfim conseguiu o credenciamento do Conselho Municipal de Assistência Social para abrigar 15 moradores de rua, podendo ampliar para até 20 pessoas. Ele afirma que isso foi o primeiro passo, pois agora espera a sensibilização da Prefeitura de Montes Claros para alocar recursos que permitam atender as pessoas carentes como abrigo.