A melodia do amor

Naquela noite, Ramon havia saído ido à churrascaria com dois amigos para se distraírem um pouco. Os três tinham 18 anos e trabalhavam como ajudantes de pedreiro em construções pela cidade. Porém, aos finais de semana os amigos tinham uma banda, nada profissional, mas eram talentosos e adoravam tudo relacionado à música, especialmente as canções românticas. Ramon sempre desejou encontrar um quarto integrante, um vocalista para a banda. Talvez por isso, ver Júlia subir ao palco e começar a cantar chamou tanto a atenção do rapaz, mas, com certeza, não foi somente por isso que ele não conseguiu desgrudar os olhos dela. Seus amigos, percebendo o interesse de Ramon, começaram a incentivá-lo a ir falar com a moça, ao final do show. "Nunca que eu vou falar com ela! Estão loucos?!", disse Ramon. Entretanto, a moça, enquanto cantava, acabou percebendo o que acontecia na mesa dos meninos, e, meio que sem querer, ficou interessada naquilo tudo e encantada por Ramon. Ele certamente era tímido, loiro, meio desajeitado, mas tinha algo que chamava atenção.

Ao fim da última música, Júlia percebeu que Ramon queria lhe falar algo, e, como também estava curiosa, foi até a mesa dele. Os amigos de Ramon trataram logo de deixar os dois a sós. "A sua apresentação foi incrível", disse Ramon. "Obrigado, de verdade. Eu me chamo Júlia Guedes, e acho que nunca te vi aqui, certo?", respondeu a menina um pouco envergonhada. Ramon se apresentou, os dois saíram dali e conversaram por um longo tempo. Eles falaram de si, dos amigos e, é claro, sobre música. Logo estavam completamente apaixonados.

Os encontros duraram cerca de um mês, e estava tudo perfeito, até que a tragédia aconteceu. Júlia encerrara mais um show e Ramon a esperava do outro lado da rua da churrascaria, com uma rosa na mão. Ela saiu e, distraída pela surpresa de vê-lo, ela não viu o carro que vinha em alta velocidade. A menina foi jogada a seis metros de distância, e Ramon assistiu a tudo, em estado de choque, e pior: sem poder fazer nada.

Julia foi levada para o hospital e, durante 12 horas, passou por uma delicada cirurgia. Às 10h20, já na manhã do outro dia, seus pais foram chamados pelo médico. Ramon, durante todo este tempo, ficou na sala de espera, desejando com todas as forças que ela escapasse da morte. O rapaz almoçou e dormiu no sofá do hospital, e esperou por horas até poder entrar no quarto, onde encontrou Júlia inconsciente e ligada a vários aparelhos. "Posso passar a noite ao lado dela?", perguntou à dona Carla. "Tem certeza disso?", perguntou a mãe da menina, exausta por passar o dia ali. Ramos fez que sim com um gesto e, assim, todos se foram, ficando no quarto apenas a paciente e o rapaz.

Na madrugada, Júlia abriu os olhos... Ramon quase enlouqueceu de alegria. Ela estava muito fraca, mas completamente feliz por ver que ele estava com ela. Com dificuldade, ela pegou um celular, debaixo do seu travesseiro, e entregou a ele, sussurrando que havia uma música salva no aparelho. Foi então que ele se surpreendeu, pois percebeu que a música que Júlia havia feito, ainda aos 15 anos de idade, falava de alguém exatamente como ele. Ele era o verdadeiro amor dela... Ouvir aquela canção foi reconfortante para Ramon, pois, ao final dizia que "dois apaixonados, mesmo distantes, permanecem lado a lado, porque o amor é eterno, eternamente..." Ramon sorriu e colocou a música mais uma vez, enquanto Júlia descansava para sempre.