IoT reduz desperdício de insumos hospitalares

Segundo a Constituição Federal, o acesso à saúde é um dever, por parte do Estado, e um direito fundamental que pertence a todos os cidadãos brasileiros. No entanto, sabemos bem que os governantes do País não costumam cumprir a risca o juramento estabelecido pela carta magna. Esse descompasso entre aquilo que a população necessita e o que efetivamente recebe no setor de saúde é atestado pelo relatório da consultoria McKinsey, o Visão Brasil 2030. Para 44% da população, os serviços públicos de saúde são ruins ou péssimos e 75% dos brasileiros relataram que a melhoria do setor de saúde deve ser a ação prioritária por parte dos governantes nacionais.

Sem dúvida, a pandemia da Covid-19 apenas reforçou esse cenário de deficiências da saúde brasileira e a necessidade do setor passar por uma grande transformação digital, visando garantir o aperfeiçoamento de processos, a melhor gestão de recursos e a modernização do atendimento aos pacientes.

Obviamente os desafios para a melhoria do sistema público de saúde são enormes, mas a tecnologia cada vez mais ajuda a amenizar alguns desses problemas. É o caso, por exemplo, de inúmeros projetos encabeçados pela iniciativa privada nos últimos anos, baseados em Internet das Coisas (IoT). Tais ações visam auxiliar o setor a evitar o desperdício de insumos hospitalares, medicamentos, vacinas e tecidos biológicos, que em muitos casos são mal transportados e armazenados, comprometendo a qualidade e a segurança na utilização.

Atualmente, um dos insumos que exige maior atenção contra o desperdício é o oxigênio medicinal, ainda mais com a alta demanda provocada pela Covid-19. Utilizado em situações que exigem a restauração da saturação de oxigênio nos alvéolos pulmonares dos pacientes e até mesmo em anestesias, reanimações cardiorrespiratórias e como terapia profilática ou curativa para diversos tipos de doenças, o gás ainda conta com baixíssimo monitoramento adequado de consumo no Brasil e no mundo, trazendo enormes prejuízos, não só financeiro,  a todos os envolvidos no processo.

A administração errônea da posologia traz consequências negativas tanto para o estado clínico do paciente e seus familiares, como à instituição de saúde que é obrigada a buscar por entregas emergenciais e, com isso, acabam sendo mais oneradas. Os prejuízos financeiros também chegam as prestadoras de serviço e demais envolvidos, devido às reposições emergenciais, ao retrabalho para o fechamento de contas médicas e pelo desperdício do insumo, seja por vazamento ou negligência dos operadores finais. Felizmente, um dispositivo IoT foi criado recentemente para monitorar de forma remota e automática a utilização do oxigênio medicinal no tratamento dos pacientes, otimizando o abastecimento em home care e identificando possíveis vazamentos. A novidade pouco a pouco vem atenuando esse problema.

Outras centenas de soluções customizadas de IoT estão sendo desenvolvidas no País para trazer um melhor controle da armazenagem e das condições de transporte de vacinas e demais insumos hospitalares, além de gerar o monitoramento on-line dos recursos e a integração entre tecnologias e aplicações.

Mais do que nunca, a tecnologia pode ser utilizada a favor das instituições de saúde para que se tornem mais produtivas, efetivas e reduzam custos em prol da oferta de melhores serviços e excelência de atendimento. A adoção das soluções IoT são fundamentais para chegar a esse nível de excelência, além de garantir maior organização, segurança e confiança em processos de auditoria.

Além disso, ao liberar tempo dos médicos, enfermeiros e demais profissionais da área de tarefas mecânicas e repetíveis - nas quais há mais possibilidade de erro - a IoT permite que a atenção às pessoas, conexões empáticas com o outro, escuta, conforto, atenção e tomada de decisões baseadas em fatores humanos sejam realizadas de maneira mais adequada. Sem dúvida, a crescente utilização do recurso tem tudo para trazer novas perspectivas para a saúde brasileira.