O que muda na relação entre aluno e professor?

Você já parou para pensar quantas aulas um professor pode dar em uma semana? E quantos alunos esse professor precisa atingir? Será que todos os alunos conseguem compreender o conteúdo e tirar suas dúvidas?

Quem já pisou tantas vezes em uma sala de aula sabe que ¼ do tempo da aula é dedicado à burocracia, como diário de classe, agendas, informativos. O outro ¼ da aula é para acalmar a bagunça, colocar a sala em ordem e chamar a atenção dos alunos. Assim, resta apenas metade do tempo para que o professor exponha os conteúdos didáticos. Mas quanto tempo é direcionado para a interação com os alunos? Nesse contexto, parece não haver espaço para compartilhar ideias, debater temas e tirar dúvidas.

Essa inquietação faz parte do dia a dia de muitos educadores. Por isso eu pergunto: será possível inverter o jeito de ensinar e aprender, transformando a sala de aula em um espaço produtivo e significativo? Os educadores norte-americanos Jonathan Bergmann e Aron Sams desenvolveram um conceito inovador que tem sido considerado a solução para alavancar o processo de ensino-aprendizagem: a sala de aula invertida.

Tudo começou quando os dois educadores resolveram gravar suas aulas para que os alunos faltantes pudessem acompanhar os conteúdos ministrados. Foi então que a mágica aconteceu: com a parte expositiva fora da sala, o professor pôde ajudar os alunos, como um tutor durante as aulas, estreitando os laços e dando-lhes mais liberdade para que participassem delas. Os professores perceberam, então, que o momento que o aluno mais precisa de ajuda é o da realização das tarefas e não nos conteúdos expositivos.

Baseados nessa experiência, os dois educadores criaram o método 'FlippedClassroom', conhecido no Brasil como ‘Sala de Aula Invertida’. A ideia central do método é permitir que o aluno tenha acesso aos conteúdos expositivos fora da escola, seja por videoaulas, filmes, games, aplicativos, textos. Desta forma a sala de aula se transforma em um espaço mais amplo, produtivo e significativo, onde os alunos podem compartilhar o que aprenderam, tirar suas dúvidas e expressar suas opiniões.

Pode parecer uma proposta ousada, mas não é tão complexa quanto parece e pode trazer uma série de benefícios para o processo de ensino e aprendizagem, como:

Mudança no papel do professor, que deixa de ter a função de apenas transmitir conhecimento para atuar como orientador dos alunos.

Maiores condições para que o professor se aproxime da linguagem dos estudantes.

Utilização de recursos tecnológicos pelos alunos durante a aprendizagem.

Benefícios aos alunos que não podem estar sempre presentes nas aulas.

Benefícios aos alunos com dificuldade de aprendizagem, pois eles podem pausar o vídeo, assistir novamente, ler e reler, o que na sala de aula não é possível.

Melhoria no gerenciamento da sala de aula, o que pode ajudar nos casos de indisciplina.

Possibilidade de que os pais participem e aprendam junto com os seus filhos.

Progressão dos alunos dentro de seu próprio ritmo.

É muito importante que, ao implantar esse modelo de sala de aula, todos os envolvidos (alunos, pais, gestores e educadores) tenham pleno conhecimento da proposta. Se você, professor, quer experimentar a ‘Sala de Aula Invertida’ com a sua turma fique atento a algumas dicas:

Esteja preparado para ‘inverter’ a sua mente.

Elabore as aulas invertidas com calma, crie seus próprios vídeos, busque conteúdos confiáveis que você possa compartilhar com os alunos.

Não tenha medo da tecnologia, se arrisque, busque aprimorar seus conhecimentos.

Oriente seus alunos sobre como podem aprender com vídeos, games, filmes e textos.

No momento da aula, busque atividades práticas, envolva os alunos e permita a interação entre eles.

Utilize os recursos tecnológicos a seu favor, explore o que os alunos sabem.

Não existe um modelo único a ser seguido de se inverter o processo de ensino. O importante é que a experiência seja enriquecedora tanto para alunos quanto para professores. A Planneta oferece cursos de Formação de Educadores que orientam o desenvolvimento dessa proposta, inclusive com apresentação de recursos digitais essenciais para integrar tecnologia e aprendizagem.

Fica aqui o meu convite para que se arrisquem, invertam suas mentes e suas aulas e desfrutem de um modelo de ensino mais produtivo e significativo.