Por que o Brasil deve se atentar para o compliance no futebol e em outros setores?

Compliance no esporte é pouco discutido aqui no Brasil, inclusive quando o assunto é futebol. Logo já pensamos em todas as transações multimilionárias que os clubes de futebol brasileiros investem para repatriar atletas e bancar grandes promessas. Mas no fim, o cenário é de endividamento.

Recentemente a Federação Paulista de Futebol (FPF) anunciou a criação de um departamento de compliance e governança cujo o objetivo principal é cumprir leis e regulamentos internos e externos. Como exemplo de acontecimentos impactantes, mas nem sempre positivos no mundo do esporte, podemos citar a transferência do craque brasileiro Neymar Júnior para o Paris Saint-German, que foi notícia no mundo inteiro e deu o que falar, afinal é considerada a aquisição mais cara do futebol.

A La Liga, organização responsável pela 1° divisão do campeonato espanhol, recusou a oferta do PSG referente a multa de rescisão contratual do atleta brasileiro. O motivo da recusa? Fair play financeiro, que no continente é regulamentado na União das Federações Europeias de Futebol (UEFA), e visa proporcionar uma melhor saúde financeira para os clubes do continente Europeu e tem como meta equilibrar os gastos dos clubes.

No caso em questão, o clube francês teria que comprovar durante os próximos três anos que não gastaria cinco milhões a mais do que arrecada. Olhando para o PSG, que possui um dono que financia suas ações, o valor pode chegar a 30 milhões.

Mas o que alguns se perguntam é: o que o fair play financeiro tem a ver com compliance? Muita coisa!

Temos consciência que diversos times europeus são financiados por donos bilionários, o que nos leva a pensar sobre a origem dos recursos destinados para gestão financeira. Nesse setor as perguntas podem ser diversas, mas a análise de risco é sempre necessária na hora de tomar uma decisão envolvendo transações multimilionárias.

Vale lembrar que o compliance teve seu boom no Brasil há apenas alguns anos e vem ganhando cada vez mais destaque. Porém no esporte, poucas organizações têm adotado essa prática. Na América do Norte e Europa, por exemplo, esse é um tema comum e que faz parte do dia a dia da gestão de negócios de pequenas, médias e grandes empresas. Isso quer dizer que o universo corporativo desses continentes sempre tratou o compliance como um dos fatores essenciais.

O termo compliance surgiu na virada do século XX, em meados do ano de 1906. Será que dá para perceber o nosso atraso? Apesar disso, o amadurecimento do mercado brasileiro foi realmente absurdo e, atualmente, podemos ver essas investigações em áreas internas das empresas.

Claro que as operações realizadas pela Polícia Federal no combate a corrupção e lavagem de dinheiro acendeu o alerta de que nossas organizações privadas e públicas necessitavam aprimorar e implantar processos de controle fiscal, governança e, até mesmo, sofrer punições.

Muitas leis foram criadas em um curto espaço de tempo, tais como a Lei Anticorrupção e de Lavagem de Dinheiro, mas cabe a nós aderirmos constantemente as práticas de compliance, em todas as esferas (e o mundo dos esportes não foge à regra) e conseguir construir uma cultura de ética e transparência. Somente assim, nosso país conseguirá se organizar e colocar cada peça em seu devido lugar.