Um alô para Jair Ruas, João Marques e Tone de Zengla

Alô, Jair Ruas de Lourdinha! Alô João Marques de Stefânia! Alô Tone de “Zengla” de Leila! Atenção leitores! “Zengla” não é a outra não, é o apelido; creio ser derivado do nome da mãe ou do pai. Não sei. Tá meio explicado, mas vamos ao assunto.

Como estão os meus amigos de longas datas? Estão enfrentando bem essa quarentena chinesa, que já virou sessentena ou até mais? Estão recolhidos, como determinam as cartilhas e os ditames legais? Conhecem a velha máxima: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”?

Então, meus amigos, tomem os cuidados necessários, vi no celular que estão prendendo e até agredindo pessoas, principalmente os velhos, que nem nós, que insistem no Direito Constitucional de ir e vir. Direito que nos parece não valer mais.

Eu estou aqui. Firme!

- Firme igual prego em angu! Diria o gaiato do Jair Ruas, seguido de sua estridente e afinada gargalhada.

Estamos Presos! Presos não. Presos sim, mas com liberdade transitória, sem “tornozeleira eletrônica”, como os corruptos, é verdade, mas com a coleira da família que mede os nossos passos. Podemos até dar uma escapulida, mas, para isso, precisamos nos disfarçar que nem os bandidos dos filmes “bang bang” de outrora, ou melhor, do nosso tempo. Lembram? Todos mascarados. Todavia, mascaravam com o próprio lenço, que portavam no pescoço, entretanto, hoje, as mascaras tem que ser especiais. E, ai de quem não usar.  Feitas as considerações, vamos aos fatos que nos levaram a escrevê-los.

Não sei se já perceberam, mas penso que o lado de lá deve ser muito bom, melhor que o lado de cá, penso eu. Jair Ruas diria novamente: - “To fora! Lá vem você com suas filosofias baratas.”.

Mas é fato. Vou citar desorganizadamente alguns nomes e depois concluo: Elias Xavier, Hernane Vilas boas, Nelson Vilas boas, César Meira, Edmur Xavier, Renê Xavier, Juventino Campos, Ari de Campos, Bolivar Andrade, Maninho de seu Bebé, e recentemente Antonio Augusto. Destes, somente Bolivar Andrade e Maninho não eram amigos comuns a nós, mas meus. É claro que tem muitos outros, como: Zé de Arlete, Zé Ratinho, Ildeu Despachante, Tone Pidoca, esses, porém, eram amigos de “Pelada”, tanto na Lagoinha quanto no Batalhão. Todos eles já passaram para o lado de lá, e nenhum veio reclamar, ou nos dizer como é lá.

É como se dissessem: - “Sei lá!”.

Eu me preocupo com eles, por isso, sempre os coloco em minhas orações, seja em casa, na igreja, ou em qualquer lugar, e também na terra santa dos que já foram. Nesta, costumo me postar ao pé do Cruzeiro, colocando em meditação e contemplação os nossos convívios passados, revivendo no pensamento os comportamentos, as alegrias, as dificuldades e principalmente os exemplos legados de cada um deles.

Fico cá pensando... O que é que eles estão aprontando lá em cima?

Nós os conhecemos na vida terrena, sabemos bem como era o comportamento de cada um deles. Uns mais comedidos outros mais afoitos.

Elias, o mestre em organização, nada econômico; Hernane, o garboso garanhão, falante como um advogado; Nelson, cirurgicamente comedido nos atos e nas palavras; César, reservado como todo contador; Edmur, quase taciturno, moderado até no sorriso; Renê, um mestre conselheiro da arte filosófica; Juventino, moralista até nas afeições, semblante altivo, sorriso curto; Ari, o azar vira festa, tudo acaba em samba e alegria – levanta, sacode a poeira e dá volta por cima; Bolivar, a solução de todos os problemas - qual é mesmo o seu problema? Sempre na ponta da língua; Maninho, desde criança, o mais esperto, o garoto brincalhão; Antonio Augusto, conselheiro cativante, fala mansa, equilibrado, a  empatia em pessoa. E os da “Pelada”? Zé de Arlete, o rei das artimanhas e das brincadeiras; Zé Ratinho, esse deve estar jogando pelada até agora; Ildeu Despachante, concentrado, mas retraído; finalmente Tone Pidoca, um grandalhão, forte e corredor.

Ressaltamos, ainda, que, todos eles, eram homens de boas índoles, reputações ilibadas e exemplares pais de família. Quanto a se bons ou maus esposos, é salutar que deixemos as ponderações aos próprios cônjuges.

 É...! Meus amigos, Jair, João Marques e Tone de Zengla, ao que parece, daquela turma sobraram nós. Dos peladeiros ainda restam outros. Quer queira, quer não, o cerco está fechando, os janeiros passando, e não tem essa de que sou o mais novo que serei o último, não. O tempo de Deus é diferente do nosso. Então, meus amigos, vamos viver a vida tal como ela se nos apresenta. Enquanto não é chegada a hora, nada de viver em pânico, nada de temer a morte. Nossos amigos são pacientes, e nos aguardam do lado de lá. Mas, não agora, como no final do filme O Gladiador: “But not yet!”.

Paz e bem.