“A festa acabou: hora de trabalhar”, disse Paulo Guedes

Bom, as desculpas acabaram. É hora dos senhores deputados, federais e estaduais, e senadores começarem a desempenhar seriamente suas funções, pelas quais são remunerados desde primeiro de fevereiro, quando assumiram seus mandatos. De lá até aqui, tocaram muito bumbo, discutiram muito sobre “sexo dos anjos”, nada mais sério. Como é de nossa tradição, só começamos a existir após o carnaval. E esta semana é a primeira completa após a festa de Momo.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, promete iniciar, nesta semana, o efetivo debate da reforma da Previdência, com a instalação da Comissão de Constituição e Justiça, estação primeira (olha o carnaval aí) do projeto que, para o governo e economistas, é fundamental para o ajuste das finanças do país. Embora muita gente do governo acredite na aprovação da nova Previdência ainda neste semestre (Paulo Guedes fala que faltam apenas 48 votos), não será uma matéria de tramitação tranquila.

Ao contrário, ela vai enfrentar poderosos grupos de pressão, especialmente entre os servidores públicos, e por isso corre o risco de sofrer um processo de “desidratação” que prejudicará as metas buscadas pelo governo. A hesitação do presidente Bolsonaro quanto á reforma da Previdência dos militares é outro entrave. O projeto da categoria só chegará à Câmara dos Deputados no dia vinte e até lá, podem apostar, a reforma da “outra” Previdência não vai evoluir. Mas as desculpas dos parlamentares acabaram. A hora é de trabalho e nisto o governo muito ajudará se não atrapalhar. Bolsonaro precisa colocar ordem na casa, na sua e na do governo, impedindo as declarações radicais e destrambelhadas de sua gente, que têm causado constrangimentos até mesmo nas nossas relações internacionais.

Se conseguir este controle, o presidente poderá até melhorar sua articulação política que é, para alguns da base e até mesmo para oposicionistas, a grande trava para o andamento das reformas da Previdência, da Segurança e das outras que virão. Sem uma melhor interlocução com sua base, o que não quer dizer toma-lá-dá-cá, o governo não chegará a lugar algum. Quem sabe, não é o momento, como propõe o ministro Paulo Guedes (foto), de o governo começar a negociar direto com os partidos em vez de trabalhar no varejinho, conversando com cada parlamentar.