As reformas precisam caminhar

Se depender das promessas nesta semana vamos conhecer o que pensa e deseja o governo com as reformas administrativa e tributária. É que, especula-se – em política é melhor ser prudente- que o governo envia, nesta semana, os textos das duas reformas. Ambas são fundamentais, mas há quem defenda ser a administrativa a prioritária neste momento. Sem reformar o Estado, argumentam lideranças empresariais, não há como se falar em uma nova estrutura tributária para o país. Os excessos verbais, ou uma incontrolável crise de sinceridade do ministro Paulo Guedes na semana passada, indicam que a reforma administrativa pode ser mais dura do que se pensava. É que, para conter os efeitos danosos de parasitas, é preciso, muitas vezes, medicamentos que podem causar a morte do paciente.

A crise instalada na Previdência, com mais de um milhão de beneficiários na fila para solicitar direitos, é um bom exemplo de que é a dosagem que distingue o remédio do veneno. Este é o dilema. Cortar sim, mas quanto? Nesta tarefa de reduzir a União tem como aliados os governos estaduais que, quebrados, precisam cortar gastos. Mas, em ano eleitoral, quem estará disposto a colocar o pescoço na forca. Se este enfrentamento com o funcionalismo já era presumivelmente difícil, ainda mais complicado ficou com o destempero de Paulo Guedes ao classificar os servidores como parasitas. Ele tem razão? Em parte sim. Há muita acomodação no serviço público, assim como há em todos os setores da vida. Só que em política não é bem assim que as coisas funcionam. Ele, ao usar uma meia verdade como verdade absoluta, deu munição aos contrários que não vão pressioná-lo.

Quem sofrerá as pressões são os parlamentares- deputados e senadores- que têm contato direto com o eleitor. É a guerra dos votos que ninguém quer perder. A necessária reforma administrativa podem apostar, ficou mais difícil. Até porque ela vai atingir- ainda não sabemos de que forma – a imensa maioria das famílias brasileiras. Ou na sua família não tem nenhum servidor público? Quanto á reforma tributária, o segredo parece ser ainda maior, até porque nem o governo sabe o que pretende reformar. Mas, mesmo assim, anuncia que deve enviar sua proposta nos próximos dias ao Legislativo – há quem diga que ainda nesta semana- que já discute duas outras, uma do Senado, outra da Câmara. A do governo, no máximo, será incorporada a alguma delas.

Apesar de improvável que Câmara e Senado consigam entregar, como andam prometendo seus presidentes, as reformas administrativa e tributária ainda neste semestre, a disposição de implementá-las já é uma boa notícia. Ótima notícia, aliás. É que o Brasil tem urgência. E não podemos nos esquecer de que elas terão que acontecer também em estados e municípios que, especialmente em relação á tributária, só podem agir após as mudanças no nível federal. De nada adiantará termos a União fortalecida com as reformas se os outros entes permanecerem como estão: quebrados e, nas circunstâncias atuais, inviáveis. Que venham logo as reformas. Precisamos ser o país do presente.