Deputados questionam corte na educação de tempo integral

Escola sem Partido e a nomeação de concursados foram outros temas abordados na sexta reunião do Assembleia Fiscaliza

Na oitava reunião do Assembleia Fiscaliza, a secretária de Estado da Educação, Júlia Goytacaz Sant´Anna, apresentou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a prestação de contas da pasta referente aos primeiros quatro meses deste ano. A atuação da secretária, que afirma ter postura extremamente técnica, foi questionada por alguns parlamentares, inclusive pelo deputado Bartô, que é do Novo, mesmo partido do governador Romeu Zema.

O deputado afirmou ter um vídeo, gravado no dia 6 de março, no qual a secretária prometia manter em funcionamento todas as escolas que ofereciam educação integral no Estado, não obstante ela, poucos dias depois, ter anunciado o corte de mais de 70 mil vagas. “A senhora é mal-intencionada e não devia estar no cargo que está”, afirmou o parlamentar.

Os deputados Bartô e Bruno Engler (PSL) fizeram menção a um dossiê com uma série de denúncias que teria sido entregue à secretária, sobre o qual até agora não teriam recebido respostas. “Ela não entendeu a seriedade do que é ser um deputado”, lamentou Bartô.

O deputado Cássio Soares (PSD) se queixou, por sua vez, de pedir uma reunião com a secretária e não ser recebido. “É a primeira vez que isso acontece comigo, em mais de oito anos de mandato”, disse. Celinho Sintrocel (PCdoB) fez a mesma reclamação, alegando não ter sido recebido quando solicitou uma segunda audiência na secretaria.

A titular se defendeu dizendo que, desde que assumiu, já recebeu mais de 40 deputados e respondeu mais de mil ofícios. Ela se dispôs a receber novamente os deputados que a procurarem.

 

Jetons - Outro questionamento feito por alguns deputados, principalmente por Léo Portela (PR), foi sobre os jetons, verbas extras recebidas por secretários para participação em conselhos de empresas públicas, o que eleva os seus salários, fixados em torno de R$ 10 mil. "Já é um excelente salário, principalmente sabendo que professores recebem em média R$ 2,5 mil", protestou o deputado. A secretária respondeu que a sua remuneração é compatível com a responsabilidade do cargo.

Em seu discurso, Léo Portela cobrou também uma posição da secretaria sobre propostas relativas à ideologia de gênero e ao programa Escola sem Partido, ressaltando que, em campanha, o governador Romeu Zema teria firmado compromisso com essas demandas.

Em resposta, Júlia Sant'Anna afirmou que tem muito respeito pelo Legislativo, uma vez que cada deputado representa o voto dos mineiros, mas que esses temas geram grande polarização e que, por isso, a secretaria vai acompanhar desdobramentos.

Pouco depois, o deputado Doutor Jean Freire (PT) tocou na questão, defendendo que, se a proposta é discutir Escola sem Partido, seria necessário, também, discutir Judiciário e Igreja sem partido, por exemplo.