Pandemia da covid-19 e o teste da resiliência organizacional (parte 2)

Capacidade reativa

 

A capacidade reativa pode ser entendida como a habilidade da organização: 1) captar os sinais fracos e fortes do seu ecossistema; e 2) interpretar e reagir a esses sinais.

Podemos afirmar que a maioria das empresas apresenta competências relativamente estabelecidas para captar os sinais do seu ecossistema. Esse processo de captação dos sinais é facilitado por elementos tais como acesso a tecnologias de comunicação, globalização, mídias eletrônicas e redes sociais. Por exemplo, os sinais de que poderia haver primeiro uma epidemia de Covid-19 e depois uma pandemia com consequências importantes foram intensificados e facilmente verificados a partir da disseminação rápida dos indivíduos contaminados em diferentes países e da percepção de letalidade da doença.

No entanto, a capacidade de interpretar os sinais e de reagir apresenta variações importantes dentre as organizações. Por exemplo, empresas de maior porte geralmente apresentam reações mais lentas. Para tanto, algumas destas adotam comitês de gestão de crises como uma forma de torná-las mais ágeis para lidar com uma crise. Por outro lado, startups (empresas nascentes inovadoras) naturalmente apresentam elevada capacidade de reação. Isso faz parte do seu contexto; caso contrário, dificilmente sobrevivem. Nesses exemplos, grandes empresas geralmente dependem de suas lideranças e outros estímulos gerenciais para reagir com certa celeridade, enquanto que, em startups, a capacidade reativa está naturalmente presente em seus DNAs.

 

Capacidade absortiva

 

A capacidade absortiva consiste na habilidade da organização em absorver as variabilidades ou consequências causadas por uma situação crítica.

Aumentar a flexibilidade e adotar instrumentos de redundâncias são algumas das estratégias para as empresas aumentarem sua capacidade absortiva. Empresas flexíveis apresentam maior rapidez e amplitude de resposta frente a situações inusitadas. Ademais, as organizações podem utilizar redundâncias, tais como folgas ou excedentes (ex.: reservas financeiras, estoques estratégicos) como elementos de sua capacidade absortiva. Tais excedentes devem ser utilizados com parcimônia, sob o risco de gerar ineficiências, particularmente em ambientes com maior estabilidade. Por outro lado, essas folgas podem assumir um papel preponderante para proteger a empresa do dinamismo do seu ecossistema.

As MPEs (micros e pequenas empresas), por exemplo, em geral apresentam menores excedentes (como os financeiros) comparativamente a grandes organizações. Nesse sentido, geralmente adotam menos redundâncias e, com isso, apresentam menor capacidade absortiva. Assim, podem estar mais vulneráveis às situações de crise.

 

Capacidade adaptativa

 

A capacidade adaptativa consiste na habilidade da organização em se adaptar às turbulências no seu ecossistema.

Mudar a cultura corporativa, adotar sistemas de gestão adequados e desenvolver suas práticas de gestão do conhecimento e da inovação são algumas das estratégias que podem ser adotadas por uma organização para aumentar sua capacidade adaptativa.

No âmbito do estudo do modelo de negócio, a capacidade adaptativa está principalmente associada a um equilíbrio adequado entre o modelo de gestão (que contempla a seguinte questão: como gerenciar?) e o modelo de inovação (que aborda a seguinte questão: como mudar?). Outrossim, grande parte da capacidade adaptativa de uma organização está predominantemente relacionada aos seus ativos intangíveis, tais como capital intelectual, capital de gestão e capital de inovação. Exemplos de empresas com capacidade adaptativa remetem àquelas que compreendem os ativos intangíveis e procuram desenvolvê-los.

 

Teste da resiliência organizacional

 

A crise deflagrada pela pandemia da covid-19 coloca à prova a resiliência de grande parte das empresas. Este artigo sugere que uma organização avalie sua resiliência organizacional segundo três competências cumulativas: capacidade reativa, capacidade absortiva e capacidade adaptativa. Espero que o resultado para esses três testes seja positivo na empresa em que você atua. Certamente as organizações com elevada resiliência organizacional estarão presentes e tenderão a prosperar no período que tem sido chamado de “novo normal”; nesse caso, em como será o mundo após a pandemia.