Barragem de Juramento chega a 50,9% e surpreende

A notificação expedida pela agencia

A Barragem de Juramento atingiu ontem (24) a marca de 50,9% da sua capacidade, um fato que surpreendeu de forma geral, e por isso, foi suspenso o racionamento do abastecimento em Montes Claros. Os dados causaram surpresa, pois no dia 2 de março a barragem estava com 38,41% do seu nível de capacidade de armazenamento, implicando que em 22 dias, subiu 12,49%, quando nesse mesmo período as chuvas foram menores. Mais curioso ainda é que a empresa tinha divulgado a escala de racionamento para até o dia 29 de março. O temor é que o fim do racionamento agora provoque um caos no período da seca, em agosto, setembro e outubro. Um dirigente da Copasa justificou ontem que nesse ano, não se usou a água da Barragem de Juramento para abastecer a cidade e que já estudava acabar com o racionamento no final de março.

A Prefeitura de Montes Claros tinha determinado através do Decreto 4007 que a Copasa suspendesse o racionamento de água. Na segunda-feira a Agência Municipal de Água e Saneamento Básico e Energia de Montes Claros (Amasbe), através do presidente Guilherme Guimarães Oliveira, expediu notificação extrajudicial datado daquele dia, para que a Copasa suspendesse o racionamento de forma imediata, sob o risco de punição com base nas leis. A justificativa foi a situação provocada pela pandemia coronavírus. O presidente afirma que “a vazão ainda existente no Pacuí possibilita preservar o volume acumulado no reservatório da Barragem de Juramento. Tecnicamente, se a população não exceder o consumo regular, o volume está garantido até a próxima chuva”, afirma Guimarães.

Na nota expedida logo após a notificação, a Copasa “comunica que, com a recuperação de mais de 50 % da capacidade de preservação da barragem de Juramento, durante o período de racionamento, somada às práticas operacionais aplicadas à rede de abastecimento, retornou a possibilidade de a população ser abastecida todos os dias, a partir de segunda-feira, 23 de março de 2020. Em razão do isolamento social necessário na superação da pandemia do coronavirus, o consumo de água tende a se elevar bastante. Diante disso, a Copasa orienta a seus clientes que sempre façam o uso racional da água, evitando desperdícios. A contribuição de cada pessoa é importante para a superação da pandemia e a longevidade das reservas de água”.

O curioso é que a situação da Barragem de Juramento já tinha virado motivo de piada em Montes Claros, pois mesmo com a grande quantidade de chuvas, a estatal apresentava indicadores de que ela não enchia. No dia 2 de março, a pedido do GAZETA, a estatal  informou que a barragem de Juramento estava naquele dia com 38,41% do seu nível de capacidade de armazenamento. Da sexta-feira (28/02) para hoje, o nível teve alteração equivalente a mais oito centímetros. Nesse período foram registradas chuvas na área da barragem equivalentes a 13,7 milímetros.

A situação do racionamento de água em Montes Claros tem gerado polêmica: no mês de setembro de 2018, na véspera da eleição, a estatal suspendeu o racionamento de água com a alegação de que concluiu as obras da adutora do Pacuí e acabou o problema da falta de água para os montes-clarenses. O então governador Fernando Pimentel veio a cidade para ato público eleitoral, nas imediações da sede da Copasa. No mês de novembro de 2019 a estatal retomou o racionamento de água na cidade.