Cresce número de animais silvestres resgatados em Montes Claros e região

Animais silvestres são resgatados pela Polícia de Meio Ambiente

Dezenas de animais silvestres já foram resgatados em Montes Claros e região no ano de 2019. Somados aos atropelamentos registrados, os dados refletem o impacto da intervenção humana na vida silvestre. Enquanto uma parte é encontrada às margens de estradas, onde estão sob risco de acidente, um número ainda maior é retirado do meio urbano e reintegrado à natureza. Por um lado, as queimadas e o avanço das ocupações urbanas obrigam o deslocamento da fauna, por outro, as cidades não se adaptam aos animais.

De acordo com informações da Polícia Militar de Meio Ambiente, foram recolhidos, de janeiro a de agosto deste ano, mais de 100 animais em toda a área da 11ª Região da PM, sendo a maior parte em área urbana. Muitos foram resgatados em decorrência de algum tipo de intervenção ambiental, como queimadas e empreendimentos imobiliários. Entre eles, estão maritacas, gambás, serpentes, jaguatirica e micos. Outros foram recolhidos por estarem fora de seu habitat natural. Os animais resgatados são levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama/IEF, em Montes Claros, onde são avaliados e, caso estejam feridos, recebem tratamento veterinário, são reabilitados e reintroduzidos na natureza.

Segundo supervisora da Unidade Regional de Florestas e Biodiversidade (URFBio) Norte, Margarete Caires, cerca de 90% dos animais que chegam ao local são recolhidos por conta do chamado de algum cidadão. Ela explica haver uma percepção errada de que o animal silvestre está fora de seu ambiente natural. “As pessoas acreditam que os animais silvestres deveriam estar apenas no meio das florestas. Mas as cidades se expandem para o meio das florestas, retirando-as. Na verdade, o que acontece é que muitos animais se adaptam com o meio urbano, como maritacas, tucanos e saguis. Se cresce uma cidade perto da mata, os animais menos tímidos podem tentar uma interação para conseguir benefícios, como alimentação e abrigo, ou fazer ninho no forro das casas. Mas muitas vezes as pessoas ligam para nós para retirar o animal e temos que passar a consciência da boa convivência: de dar espaço ao animal, não alimentar ou tocar. Esses animais têm o recurso que eles precisam e, se forem alimentados, vão se tornar dependentes dos humanos e se cortar o alimento, eles podem invadir as casas, o que causa reclamação”.

Margarete Caires explica, ainda, como as intervenções humanas afetam a vida silvestre. “Quando se retira a camada superficial do solo e a vegetação, com certeza terá uma emigração dos animais daquele local. A própria presença de máquinas, na maioria das vezes, vai espantá-los. Quando se derruba uma árvore, não se sabe quantos ninhos têm nela, que comunidades usam aquela árvore para se alimentar ou como abrigo ou refúgio. E todas essas intervenções ambientais precisam ser autorizadas por Prefeitura, pelo Estado ou a União (no caso o Ibama), em caso de grandes proporções. Esse licenciamento prevê uma ação de resgate e realocação da fauna, e até reflorestamento”.