Norte de Minas passa a vender canabidiol a R$ 2,5 mil

O Norte de Minas começou a vender desde ontem o fármaco canabidiol, ao custo de R$ 2.500,00 a embalagem com 30 mililitros, em venda que está sendo realizada por uma rede de drogaria da cidade, mas somente para quem tem a receita médica. O secretário do Conselho Municipal de Álcool e Outras Drogas (Comad), Claudevane Dias Alves explica que várias pessoas do Norte de Minas têm ordem judicial para usar esse produto e estavam sendo obrigadas a comprar nos Estados Unidos e agora podem comprar em Montes Claros. O gerente da Vigilância Sanitária de Montes Claros, Sinvaldo Silva explica que esse produto tem registro na Anvisa e portanto, poderá ser vendido em todas farmácias e drogarias do Brasil.

O Conselho Federal de Medicina decidiu autorizar os neurocirurgiões e psiquiatras a prescrever remédios à base de canabidiol para crianças e adolescentes portadores de epilepsias cujos tratamentos convencionais não surtiram efeito. O detalhamento de quais profissionais poderão receitar o medicamento derivado da maconha, em que circunstâncias e para que tipo de doenças consta de uma resolução aprovada pelo plenário da entidade. 

A Resolução CFM nº 2113 proíbe a prescrição da cannabis sativa, nome científico da maconha, in natura para uso medicinal, bem como de quaisquer outros derivados da planta que não o canabidiol, empregado exclusivamente com fins terapêuticos. O texto também estabelece as dosagens recomendadas e a forma de monitoramento dos resultados alcançados a partir da prescrição. O grau de pureza da substância e sua forma de apresentação deverão seguir as determinações da Anvisa.

O CFM garante ter aprovado a prescrição de remédios à base de canabidiol após avaliar todos os fatores relacionados à segurança do paciente e à eficácia da substância. Após analisar estudos e documentos, o conselho concluiu não haver evidências científicas que comprovem que os canabinoides sejam totalmente seguros e eficazes no tratamento de casos de epilepsia. O usuário terá que assinar um termo de consentimento em que reconhecerá ter sido informado sobre as alternativas de tratamento e os possíveis efeitos colaterais à saúde, que, entre os já identificados, incluem sonolência, fraqueza e alterações do apetite.

Tanto os médicos que receitarem o canabidiol quanto os pacientes que usarem a substância deverão ser previamente cadastrados em um sistema informatizado a ser desenvolvido pelos conselhos regionais de medicina. A medida permitirá o monitoramento do uso do produto para avaliar sua segurança e possíveis efeitos colaterais