Norte de Minas terá R$6 bi para rede de transmissão de energia

O Norte de Minas será o maior beneficiado com os investimentos de R$6 bilhões a serem realizados até 2022 nas obras de  ampliação da rede de transmissão em Minas Gerais. Trata-se de uma região mal servida por essas linhas, conforme Maxwell Cury Júnior, analista de Pesquisa Energética e coordenador dos Estudos de Transmissão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), durante discurso na Comissão Especial da Assembleia Legislativa, realizada na terça-feira (25). O objetivo foi discutir as energias renováveis. Cerca de 400 pessoas participaram do evento, que tratou do incremento e da regulação da produção desse tipo de energia. O evento foi solicitado pelo deputado Gil Pereira (PP), presidente da Comissão Extraordinária das Energias Renováveis e dos Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

De acordo com Luiz Eduardo Barata Ferreira, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a expansão da produção de energia elétrica no Brasil já está calcada em fontes de energia renováveis, considerando que 67,5% dela vêm de hidrelétricas e 19% das outras fontes renováveis. Ele sinalizou que a geração distribuída (na qual o próprio consumidor gera sua energia), já é responsável pela produção de mais de um gigawatt (gw) no Brasil, com três mil unidades instaladas, sendo Minas Gerais o maior produtor. A fonte fotovoltaica desponta como a principal, tendo enorme potencial de crescimento. O estado de Minas Gerais tem hoje 24% das unidades, a maior parte no Norte do Estado, e é responsável por 28% da energia produzida.

Para se adaptar às mudanças, o ONS tem se preparado, avaliou Luiz Barata, como demonstram os leilões para energias renováveis. O próximo será no dia 28 de junho, para o qual Minas Gerais tem 74 projetos inscritos, que somam 2770 megawatts (Mw), sendo 2400 gerados por fonte fotovoltaica. Também Rodrigo Santana, assessor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), acrescentou que o Brasil tem ainda grande margem para crescimento se comparado a outras nações. Na Austrália, de acordo com ele, de cada seis residências, uma tem energia fotovoltaica. Ronaldo Amaral Santana, do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, disse que, conforme projeções, até 2040 a geração distribuída chegará a 32% da matriz energética no País.