Norte de Minas teve 4.155 trabalhadores demitidos em virtude da Covid-19

professor Roney Sindeaux

O Norte de Minas teve um saldo negativo de 4.155 trabalhadores que perderam o emprego nesse ano, desde quando surgiu a pandemia coronavírus, conforme estudo realizado pelos professores Roney Versiani Sindeaux e Rogério Martins Furtado de Souza, do Observatório do Trabalho do Norte de Minas. Os dados mostram que 25.216 pessoas foram contratadas e 29.371 perderam o emprego, deixando o saldo negativo de 4.155 pessoas. Aliado a isso, 44 municípios da região fecharam o primeiro semestre com mais demissões do que contratação, conforme a pesquisa realizada pelos professores do Observatório.

Os professores esclarecerem que os dados sobre o mercado de trabalho formal brasileiro passaram por alterações na sua coleta e divulgação desde o início de 2020. A partir de janeiro, o uso do Sistema do Caged foi substituído pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) para parte das empresas. A base de dados anteriormente utilizada, advinda das declarações do Caged passaram a ser obtidas pelos dados do e-social. Com isso, tem havido alterações nos sistemas e bases de divulgação dos dados impactando, principalmente, o detalhamento desses dados.

Para viabilizar a divulgação das estatísticas do emprego formal durante esse período de transição, foi feita a imputação de dados de outras fontes. Isso afetou a dinâmica das pesquisas do Observatório do Trabalho do Norte de Minas.  “No entanto, enquanto trabalhamos na reorganização da coleta de dados e revisão do formato do boletim mensalmente divulgado, apresentamos nesse informativo dados referentes ao comportamento do emprego formal no Norte de Minas, comparando-o ao estado de Minas Gerais como um todo, principalmente para que seja possível analisar o impacto, até o momento, da pandemia do novo coronavirus sobre os empregos em nossa região”, esclarecem professores Roney Versiani Sindeaux e Rogério Martins Furtado de Souza.

Eles citam que em 1° de Janeiro de 2020 o total de ocupações formais no norte de Minas era de 169.522 vínculos. Depois de uma pequena redução ocorrida no referido mês, em fevereiro esse número chegou a 170.205 com uma variação positiva de 0,46% em relação a Janeiro. Em março/2020 houve uma redução de 603 vínculos na região e em abril a queda acentuou, havendo a perda de mais 3.232 vínculos nos postos de trabalho formais no Norte de Minas. Também em maio houve redução dos empregos formais com saldo de 1.351 vínculos a menos. Dessa forma, a região atingiu em junho o total de 165.367 vínculos formais ocupados. Esse número contempla as perdas dos meses anteriores e o saldo positivo do mês de junho, onde o número de admissões ultrapassou o número de desligamentos em 348 contratações, representando um acréscimo de 0,22% em relação a maio.

Desde março quando iniciou a pandemia, a região perdeu 4.838 vínculos formais, representando uma queda de 2,8% do total de vínculos que havia em fevereiro.

 

 

 

Números releva o quanto o novo coronavírus afetou a economia

 

Nesses quatro meses de Covid-19, ocorreram 14.356 admissões, porém 19.194 desligamentos no Norte de Minas, o que gerou esse impacto negativo mencionado. “É possível observar que o maior saldo negativo nesse período ocorreu em abril, seguido de maio. Os dados do mês de junho parecem demonstrar uma pequena recuperação dos empregos. No semestre, por enquanto, ainda é possível observar uma diferença entre admissões e desligamentos que totaliza 4.155 vínculos formais perdidos. Uma perda de 2,45% no total de postos de trabalho que estavam ocupados no início de Janeiro”, destacam os dois professores.

Nesse semestre, os municípios que mais contribuíram para esse montante foram Montes Claros com perda de 2487 vínculos, Janaúba com perda de 644 vínculos e Salinas com perda de 321 vínculos no saldo resultante das admissões e desligamentos. Em Montes Claros ocorreram 45,8% das admissões e 47,8% dos desligamentos referentes aos vínculos formais existentes na região Norte de Minas no período de janeiro a junho de 2020. Tal situação é compreensível, considerando que em Montes Claros nesse semestre, se concentraram em média, 46,6% do total de vínculos formais ocupados no Norte de Minas. Em Janeiro/2020 essa participação foi de 46,8% do total e em junho 46,4%.

Ainda com relação a Montes Claros, em março os desligamentos ocorreram principalmente para as pessoas com faixa etária entre 30 e 39 anos, seguidos daquelas de 25 a 29 anos, ambas as faixas com ensino médio completo e incompleto. Em abril os desligamentos atingiram também os mais jovens na faixa de 18 a 24 anos, seguidos das pessoas com idade entre 30 a 39 e 25 a 29 anos respectivamente, também com ensino médio completo e incompleto. Em maio os desligamentos atingiram os trabalhadores das faixas etárias acima de 40 anos e com ensino médio completo e incompleto.

Em junho os desligamentos foram maiores para as pessoas na faixa de 50 a 64 anos seguidas daquelas entre 40 a 49 anos. Já as contratações privilegiaram as faixas iniciais de idade, jovens de 18 a 24 anos e 25 a 29 anos com escolaridade, de ensino fundamental completo e ensino superior incompleto. “Enfim, embora os dados demonstrem que não houve muitas alterações na dinâmica das admissões e desligamentos, seguindo padrões semelhantes aos anos e meses anteriores, destaca-se o forte e brusco impacto gerado pela suspensão das atividades ocorridas a partir de março e intensificadas em abril. No entanto acredita-se que parte do movimento de retração dos empregos pode ter sido contido, no mercado formal, pelas medidas de manutenção do emprego implantadas e subsidiadas pelo Governo Federal”, enfatizam.

Os professores Roney Versiani Sindeaux e Rogério Martins Furtado de Souza, do Observatório do Trabalho do Norte de Minas afirmam que “dessa forma, ainda que junho tenha representado um alento no movimento negativo e sinalizado recuperação de admissões frente aos desligamentos, somente o acompanhamento do comportamento dessa dinâmica nos próximos meses é que tornará possível afirmar se efetivamente se trata de uma tendência de retomada do nível de emprego formal no Norte de Minas e sua ampliação”.