Alguns fatores de risco devem ser observados

 

O desenvolvimento de fatores de risco é outro ponto importante que contribui para o aumento número de casos destas doenças e, por consequências, óbitos. “Os fatores modificáveis, que podem ser acompanhados e revertidos por meio de tratamentos e de medidas de saúde, são vários; os principais, que mais acometem a população são, por exemplo, a pressão alta, a hipertensão arterial, o colesterol alto, que é a gordura no sangue, e o diabetes, condição em que o açúcar no sangue está elevado”. Esses fatores, como explica o médico, são desenvolvidos, principalmente, por hábitos considerados inadequados, como alimentação com alta ingestão de gorduras, açúcares e carboidratos.

Ele também frisa hábitos comportamentais como risco. “O tabagismo pode passar batido; é um fator de risco importantíssimo. Tabagismo, diabetes e colesterol alto são os três piores (fatores de risco). E se livrar do tabagismo é uma coisa relativamente simples, é só a pessoa parar de fumar. E parar de fumar não somente causará efeitos positivos no coração, irá também diminuir as chances de câncer de pulmão, de câncer de mama e de AVC, por exemplo”. Obesidade e o sedentarismo também são condições de risco para as doenças do coração, lembra o especialista.

A comerciante Ana Amélia Gomes, de 48 anos, descobriu, no ano passado, que é hipertensa. Após sentir dores na nuca e queimação na região do peito, ela conta que procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Vera Cruz, referência da região em que reside. Após consulta no local, ela conta que foi encaminhada para consulta e controle em uma unidade hospitalar. “Quando consultei no posto, minha pressão estava cerca de 18 por 7, altíssima. Eu precisava fazer controle. Então fui encaminhada para consulta com cardiologista na Santa Casa e passei a tomar remédios e controlar a alimentação”. Após o período inicial de tratamento, ela garante que sua pressão tem permanecido estável e alega estar satisfeita com o tratamento recebido. “Eu gostei muito do tratamento, fez efeito, e agora tenho mais controle da saúde. Pretendo continuar o acompanhamento com o médico e me prevenir”.

O esposo de Ana Amélia, o também comerciante Alexandre Gomes, de 50 anos de idade, também é hipertenso. Em tratamento há quatro anos, ele também garante que tem cuidado da saúde com uso constante de medicamento e dieta. No caso dele, o tratamento é feito diretamente na UBS e, lá, ele tem o acompanhamento de profissionais para controle da pressão alta. Para Ana Amélia, o fato de o marido lidar, por anos, com a hipertensão, a ajudou a se adaptar melhor ao tratamento. “Por ele já se cuidar e tratar, quando descobri que tinha pressão alta, já sabia como seria minha rotina. Agora, me cuido e acho que as pessoas devem fazer o mesmo e sempre procurar o posto para conferir como está a saúde”, recomenda.

Também são consideráveis, além dos impactos familiar e social, os efeitos deste alto número de óbitos na rede de saúde. “O impacto desse alto número de óbitos é enorme. Temos essa realidade (alto número de óbitos), mas antes de ter a morte em si, você tem essas pessoas doentes, utilizando o sistema de saúde, tanto o público quanto o da rede suplementar. Muitas vezes, esses pacientes têm insuficiência cardíaca e precisam internar. Aliás, é uma das principais causas de internação. Então, o impacto no sistema de saúde é enorme, principalmente para o sistema público, porque gera um custo”, garante o médico Gustavo Pinheiro, lembrando ainda que às vezes as pessoas necessitam de intervenção, procedimentos, como cateterismo, fazer implante de um stent, ou marca-passo, até mesmo um aparelho mais sofisticado, e que têm impacto no sistema de saúde público e suplementar. “Então, quando você analisa que as pessoas, muito provavelmente, ficaram doentes antes de virem a óbito por essas doenças, e precisaram se submeter a tratamentos, você percebe que impacto é enorme. É também um dos principais gastos do sistema de saúde”, analisa o especialista. (RA)