Amamentação pode auxiliar no desenvolvimento cognitivo do bebê

Aleitamento, no entanto, não pode se tornar uma pressão para as mães

A amamentação oferece vários benefícios a um bebê, já que é por meio do leite materno que ele consegue boa parte dos nutrientes necessários ao desenvolvimento, sobretudo nos meses iniciais. No caso do desenvolvimento cognitivo, pesquisas mostram que os fatores ambientais também podem ter forte influência, principalmente nos seis primeiros meses de vida até os dois anos, quando se tem o maior desenvolvimento neuropsicomotor.

Um estudo realizado pela Universidade Federal de Pelotas, por exemplo, acompanhou quase 3.500 recém-nascidos desde 1982 até que eles completassem 30 anos de idade. Os participantes que foram amamentados por 12 meses apresentaram maior QI do que os que somente receberam o leite materno por menos de um mês.

Contudo, correlação não indica causalidade. Existem vários fatores que podem interferir em um maior QI e no desenvolvimento infantil. Mas os estudos mostram que há uma forte relação entre o aleitamento materno e o desenvolvimento psicossocial do indivíduo. Nesse sentido, o leite materno possui diversas propriedades que podem auxiliar no desenvolvimento cognitivo dos bebês.

Os ácidos graxos estão presentes nessa composição e têm papel importante na cognição, contribuindo para a construção das membranas celulares, principalmente das células da retina, propiciando uma melhor visão e bom desenvolvimento do sistema nervoso central. Bons exemplos são o ácido araquidônico, proveniente do ômega 6 e o DHA, oriundo do ômega 3.

No entanto, não é apenas o leite que contribui para o desenvolvimento do bebê. O contato entre a mãe e o filho tem muita influência neste processo, já que há uma inevitável interação social entre eles. O cheiro da mama, por si só pode estimular uma resposta da criança, favorecendo a formação de vínculos entre os dois. Tudo indica que crianças prematuras podem se beneficiar ainda mais da amamentação, já que a melhora cognitiva é ainda mais acentuada.

De acordo com artigo de Flavia Schwartzman, mestre em nutrição pela Unifesp, os resultados, contudo, ainda são extremamente controversos na comunidade científica. “Não está claro se as melhoras são causadas pelo leite materno de fato ou por outras variáveis”, explica a especialista. 

“Eles mostram que, em geral, as mulheres que amamentam seus filhos apresentam nível socioeconômico mais alto, melhor nível escolar, nível de inteligência mais elevado, mais idade, menos sintomas indicativos de depressão pós-parto e maior preocupação com o desenvolvimento infantil que as mães que amamentam seus filhos por um curto período de tempo ou que não os amamentam”, relata a nutricionista.

Amamentar, contudo, não é uma tarefa fácil. Os problemas emocionais, alguns tipos de doença e a própria idealização do ato podem tornar o processo ainda mais complicado. Embora existam benefícios inegáveis do aleitamento materno, o importante é respeitar os limites de cada organismo. A família e os amigos também devem apoiar as mães neste período, sem cobrá-las por um processo que não depende só delas.

“A mulher não amamenta sozinha, ou não deveria. Ela precisa de apoio, tanto da família quanto da sociedade. A gestação, o parto e a amamentação são trabalhos da mulher para a sociedade, que deveria reconhecer isso e dar assistência para as mães”, diz o médico especialista em amamentação Marcus Renato de Carvalho, em entrevista. O recomendado é sempre buscar assistência de profissionais da saúde caso haja algum problema, tanto de médicos como de psicólogos. (Conversion)