Depressão de trabalhadores pode ter relação direta com agrotóxico

Durante seminário realizado no auditório da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene, ontem pela manhã, especialistas da área da saúde ocupacional ministram palestras para estudantes e profissionais do Norte de Minas Gerais sobre os riscos para saúde mental dos trabalhadores expostos ao agrotóxico, seja na zona rural ou na cidade. Segundo a enfermeira do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), Thereza Christina, a depressão diagnosticada nesses trabalhadores, em sua maioria, tem relação direta com o manuseio do agrotóxico, mas não apresentou uma causa específica. O evento foi organizado pelo CEREST e Amams em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Rosângela Silveira, doutora em psicologia, uma das palestrantes, abriu o tema sobre as causas da depressão e incluiu o Assédio Moral com forte impacto na saúde do trabalhador. Para ambos os casos os trabalhadores estão sujeitos aos transtornos mentais que podem ser de ordem neurótica ou psicótica. No caso específico daqueles expostos ao agrotóxico, os transtornos são de ordem psicóticas, por relação direta do contato com o veneno.

O debate deu ênfase na identificação e nas possíveis terapias preventivas ou curativas, a depressão pode estar presente quando a pessoa deixa de se comprometer com seu autocuidado ou com sua vida social, como exemplos, perde a vontade de se arrumar, tomar banho, cortar unhas, de ter uma vida social, se isola, dentre outros. Se não tratado pode levar ao cometimento do suicídio. Entretanto, há um alerta: depressão é diferente de tristeza, quando uma pessoa perde um parente, neste momento há uma tristeza que deve ser vivida pela pessoa e é preciso incentivar o enfrentamento da situação.

Em entrevista a nossa reportagem, Rosângela Silveira disse que eventos como estes são importantes, mas que somente abrem o debate, não aprofundam a formação e que a educação em saúde é o melhor caminho com encontros regulares e constantes. Uma das estratégias apontadas para a identificação e o acompanhamento eficaz desses agravos foi a capacitação realizada em 2015 para todos os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), auxiliares e técnicos de enfermagem, Caminhos do Cuidado, Formação em Saúde Mental. Cerca de 31 mil profissionais no estado foram capacitados a identificar os casos de pacientes com transtornos mentais. Esta capacitação deverá retornar no próximo ano, porém com um novo formato e aberto a mais profissionais. (Colaborador)