Hospitais sem anestesia suspendem cirurgias eletivas

Os hospitais de Montes Claros anunciaram a criação de Plano de Contingência, desde sábado (27), quando passarão a atender apenas os casos emergenciais, em razão da falta de anestésicos e relaxantes musculares, que agora, está afetando também o tratamento dos pacientes que estão com a doença Covid-19. É que sem o medicamento, eles não podem ser entubados e a ventilação mecânica fica comprometida, colocando em risco a vida deles. Por isso, as cirurgias eletivas que não são de emergência ficam suspensas. A nota de esclarecimento foi assinada pelos hospitais Aroldo Tourinho, Dilson Godinho, Doutor Mário Ribeiro, Prontosocor e Santa Casa, todos eles filantrópicos. No sábado à noite o Hospital Doutor Gil Alves, de Bocaiuva, também anunciou o mesmo plano de contigenciamento.

Estranhamente, o Hospital  Universitário Clemente de Farias, que é estadual e 100% público, não assinou. Desde a última segunda-feira que o Centro Integrado de Comando e Controle Local de Enfrentamento à COVID-19 foi alertado para a grave situação da falta de anestésicos. O curioso é que a direção do Hospital Universitário relatou na reunião que tinha o produto por mais 10 dias. Na quarta-feira, um mototaxista de apenas 42 anos, que estava com Covid 19, morreu em Montes Claros, em situação que surpreendeu, pois não era do grupo de risco.

Na nota divulgada à imprensa, os dirigentes dos hospitais explicaram que “em função da escassez de matéria-prima no mercado, em face do aumento da demanda durante a Pandemia da Covid-19, os estoques de anestésicos e relaxantes musculares, fundamentais no tratamento médico de pacientes em diferentes condições, estão no limite. Essa situação está sendo registrada em todo território nacional, com consequências na nossa região”.

Afirmam ainda: “enfatizamos ainda que além do desafio de ampliar o numero de leitos de UTI e respiradores, agora enfrentamos a falta desses medicamentos usados na intubação de pacientes graves com coronavirus. Sem esses remédios, a ventilação mecânica não pode ser feita de forma adequada e o paciente corre maior risco de morte. Por isso, os hospitais de Montes Claros estão sendo forçados a adotar um Plano de Contingência. Como medida de segurança, os estoques ainda existentes estão sendo reservados para atender apenas casos emergenciais. Os procedimentos eletivos agendados e que não estão caracterizados como emergência não poderão ser realizados até a normalização da oferta de medicamentos”.

Nas redes sociais, o provedor Paulo César Almeida foi mais direto: “Independentemente do COVID-19, que já provoca ou deveria provocar toda atenção e cautela de todos, pois a situação agora é gravíssima  sob o ponto de vista de segurança assistencial, como assinala a nota conjunta dos hospitais de Montes Claros. Na verdade, sem exagero, a situação é mais do que gravíssima, é estarrecedora. Se persistir a escassez dos medicamentos assinalados, as consequências serão, infelizmente, devastadoras. E estamos falando de assistência à população. Portanto, cuidemo-nos! E que Deus nos proteja e abençoe!”.

O Ministério Público de Montes Claros emitiu nota conjunta ontem à tarde onde explica que acompanha a situação em âmbito local, regional e nacional e   informa que ainda não há previsão concreta de normalização dos estoques de medicamentos no curto prazo. Por essa razão, reforça a importância do comunicado dos hospitais de Montes Claros para que a população fique em casa, como forma de prevenção de acidentes e redução da contaminação por Covid-19. O comunicado é assinado pelo procurador federal  Marcelo Malheiros Cerqueira e pelos promotores estaduais  Leandro Pereira Barboza e  Rodrigo Wellerson Guedes Cavalcante.