Hospital das Clínicas suspende maternidade e cirurgias

O Hospital das Clínicas de Montes Claros, vinculado ao Grupo Soebras/Funorte, suspendeu as atividades da sua maternidade e, com isso, os partos estão sendo transferidos para outros hospitais; assim como está deixando de fazer as cirurgias de cataratas e as consultas W, para cirurgias eletivas. A alegação é que os médicos entrarem em greve. A situação levou a Secretaria Municipal de Saúde a tomar medidas legais contra o hospital. O assunto foi discutido ontem de manhã em Montes Claros, durante a reunião da Comissão Regional Intergestora Avançada (CIRA). O hospital foi notificado e caso mantenha o impasse, poderá ser punido por descumprir o contrato com o Sistema Único de Saúde.

Inaugurado em 3 de julho de 2013, o Hospital das Clínicas conseguiu somente em 2017 ser credenciado pelo SUS, em ato unilateral do Ministério da Saúde, que na época repassou R$11,7 milhões para o hospital. Porém, com dois anos, o hospital suspendeu o atendimento. A secretária municipal de Saúde, Dulce Pimenta, afirma que na terça-feira passada foi procurada pela diretora Adriana Paculdino, que comunicou a suspensão da maternidade. Ela solicitou a oficialização do ato, o que foi realizado. A partir daí, o hospital foi notificado a cumprir o contrato.

A secretaria Dulce Pimenta explica que há algum tempo foi comunicada por secretários municipais do Norte de Minas de que o Hospital das Clínicas estava causando constrangimentos a pacientes do Norte de Minas que vinham fazer as consultas W, onde tinham de serem submetidas a cirurgias; ou mesmo aos pacientes que precisavam fazer as cirurgias de cataratas. Na hora que os pacientes chegavam ao hospital, recebiam o comunicado da suspensão dos exames e cirurgias. Isso ocorreu por mais de três vezes. Por isso foi expedida a notificação. O hospital recebeu prazo até dezembro para fazer as cirurgias de cataratas.

Ela lembra ainda que não existe qualquer interesse de suspender os procedimentos pelo SUS no Hospital das Clínicas ou qualquer outro, pois quando isso ocorre sobrecarrega toda rede. Por isso, a busca de uma solução. Dulce Pimenta afirma que a exigência de cumprimento do contrato é válida para todos os hospitais de Montes Claros e garante que todos os outros têm cumprido o que assinaram. Inclusive apresentaram extrapolamento de atendimentos e foram remunerados por essa situação.