HU pede para deixar tratamento laboratorial da leishmaniose

O Hospital Universitário Clemente de Farias

O Hospital Universitário Clemente de Farias solicitou à Secretaria Municipal de Saúde para não  ser mais referência  no tratamento laboratorial da Leishmaniose (calazar) e HIV, em atitude que surpreendeu o Conselho Municipal de Saúde, que decidiu convocar o prestador de serviços para prestar os esclarecimentos. O presidente do Conselho, Joaquim Francisco Lima explica que o HU já  vinha ameaçando em deixar de ser referência no tratamento de leishmaniose e para surpresa do Conselho Municipal de Saúde, os seus dirigentes oficializaram o pedido inclusive para o tratamento de pacientes com HIV.

O presidente anunciou que o Conselho Municipal deve reunir o mais rápido possível  para discutir isto e fazer  encaminhamentos, pois o HU é  um hospital 100% SUS, hospital escola, e sempre foi referência no tratamento do  Calazar e não pode deixar de ser referência sem uma discussão  maior com o Conselho de Saúde, a Gestão Municipal  e sem os gestores da Macrorregião Norte de Minas. “Temos que pensar no melhor atendimento à população  e não  fechar portas”. O Conselho espera que o HU reveja a sua decisão. Ele lembra que trata da Leishmaniose Visceral (calazar) e o tratamento é ambulatorial e não laboratorial.

O HU, como referência no diagnóstico, tratamento e estudos de casos sobre a Leishmaniose Visceral (LV) para o Norte de Minas, anunciou que tem sido determinante para a funcionalidade do Leishcare, um aplicativo (“app”) desenvolvido por pesquisadores para a avaliação dos casos da doença – conhecida popularmente como “Calazar”. O “app” é resultado de amplo estudo realizado pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e pelo Instituto René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Como parceira, a Unimontes teve 12 médicos e residentes da equipe do HUCF como participantes da pesquisa “na avaliação de gravidade dos casos, registro e acompanhamento de lesões cutâneas e guias atualizados de manejo das leishmanioses”.

A aplicação desta tecnologia na saúde integra a pesquisa “Otimização do Diagnóstico Precoce e Manejo de Indivíduos com Leishmaniose Visceral em Áreas Endêmicas – com Diferentes Perfis de Transmissão e Endemia”, coordenada pela professora doutora Luciana de Almeida Silva Teixeira, da UFTM. Além do aplicativo, o projeto engloba o teste sorológico DAT/LPC, que foi desenvolvido pelo pesquisador Edward Oliveira, do Laboratório de Pesquisas Clínicas do Instituto René Rachou/Fiocruz. Para Montes Claros foram encaminhados 10 kits do teste. Cada um é suficiente para avaliar 80 amostras de soro em pacientes com suspeita clínica da Leishmaniose Visceral.