Moc registra mais 5,8 mil mortes por problemas no sistema circulatório

O cardiologista Gustavo de Almeida Pinheiro destaca que o
número de mortes é alarmante

Foto: RICARDO ARRUDA

Em Montes Claros, os distúrbios que afetam o sistema circulatório tem sido a principal causa de óbitos por doenças registrados na cidade, pelo menos nos últimos seis anos. No período entre 2013 e 2018, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde, foram 5.850 mortes decorrentes destes distúrbios, número que representa cerca de 24% do número total de óbitos por doenças no mesmo período. Para se ter ideia, disfunções como acidente vascular cerebral (AVC), infarto e hipertensão, somadas a demais doenças do aparelho circulatório, mataram mais do que neoplasias (tumores) – que aparecem em segundo lugar na lista de doenças mais fatais, no mesmo intervalo de tempo. A SES ainda não tem os dados comparativos de óbitos entre as doenças neste ano. O número total de mortes por distúrbios do sistema circulatório de janeiro a junho deste ano, contudo, segue expressivo: 340 óbitos já foram registrados no município.

“Se fizermos um paralelo e compararmos, por exemplo, as doenças que acometem o sistema circulatório, nós iremos verificar que elas matam três vezes mais que as doenças pulmonares, e chegam a ser até dez vezes mais frequentes do que o câncer de mama ou a AIDS”, exemplifica o cardiologista Gustavo de Almeida Pinheiro.

Ele destaca que o número de mortes por essas doenças é alarmante, mas que a circunstância tem ganhado pouca atenção da mídia e, às vezes, da própria gestão de saúde. “Existem muitas campanhas de conscientização da saúde, muitas são amplamente divulgadas pela mídia, e está correto. Mas pouco se fala das doenças do sistema circulatório e, que hoje, são a principal causa de morte natural, podendo matar até dez vezes mais que o câncer de mama, por exemplo”, alerta o médico. Em sua opinião, talvez falte conscientização e orientação à população para que uma das mais importantes condutas sejam tomadas: a prevenção dos fatores de risco.

A significativa ocorrência de mortes, por estas doenças, em Montes Claros, conforme pesquisa realizada na semana passada pela reportagem do Jornal GAZETA junto ao Datasus, coloca a cidade em segundo lugar do Estado em número de óbitos por doenças do sistema circulatório, nos últimos dois anos – perdendo apenas para Belo Horizonte. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, Minas Gerais teve, em 2018, 31.417 registros. Destes, quase 4% ocorreram em Montes Claros. A tendência dos dados do município também se aplica no País. De acordo com informações do Ministério da Saúde, doenças do aparelho circulatório constituem a principal causa de morbimortalidade no Brasil e no mundo.

Ainda de acordo com o cardiologista Gustavo Pinheiro, as doenças e óbitos em decorrência de acometimentos do sistema circulatório e do coração são “a principal causa de morte natural na população, em Montes Claros e no resto do mundo ocidental e industrializado”. O especialista avalia que, no mundo moderno, é habitual que as pessoas tenham um padrão e estilo de vida que favoreçam a formação de maus hábitos – como sedentarismo, por exemplo -, e a resistência em adotar novos comportamentos. “Montes Claros tem um padrão de vida que se assemelha à média do mundo”, diz. O cardiologista ainda analisa que o coração, por ser um órgão vital e responsável pela circulação do sangue no organismo, ao sofrer acometimentos graves, gera distúrbios. “Por ser tão vital e tão importante, as doenças que afetam o coração e o sistema circulatório são as principais causas de morte. É comum a gente falar que o coração é o órgão que mais mata”.

O casal Ana Amélia e Alexandre Gomes são hipertensos
Foto: RICARDO ARRUDA