Norte de Minas formará mil profissionais para câncer de boca

 

Com início previsto para, no máximo, 1º de março de 2020, mil dentistas atuantes em 86 municípios que integram a região ampliada de saúde do Norte de Minas poderão se inscrever em curso de atualização em detecção precoce do câncer de boca e manejo do paciente oncológico. Esse foi um dos resultados obtidos pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais – (SES-MG) com a realização, na sexta-feira (8), em Montes Claros, da 1ª Oficina de Cuidado Primário em Saúde: Detecção Precoce do Câncer de Boca e Manejo do Paciente Oncológico.

Organizado pela Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros – (SRS) o evento contou com a participação de mais de 200 profissionais que atuam em municípios que compõem a região ampliada de saúde do Norte de Minas. A Oficina teve parceria da Universidade Estadual de Montes Claros – (Unimontes); do Conselho Regional de Odontologia – (CRO) e da Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros. O curso anunciado pelo pró-reitor de pós-graduação da Unimontes, André Luiz Sena Guimarães será ministrado à distância e será totalmente gratuito para os dentistas que atuam na rede pública de saúde.

Em ofício encaminhado à SRS de Montes Claros, André Guimarães esclarece que a iniciativa viabilizará aos municípios o atendimento da Lei 13.896, publicada dia 30 de outubro deste ano pelo Governo Federal, estabelecendo que nos casos em que a principal hipótese diagnóstica de pacientes seja câncer, os exames necessários à elucidação devem ser realizados no prazo máximo de 30 dias, mediante solicitação fundamentada do médico responsável.

Na abertura da Oficina a superintendente regional de saúde de Montes Claros, Dhyeime Thauanne Pereira Marques ressaltou a importância do trabalho desempenhado pelos profissionais que atuam nos serviços de atenção primária à saúde dos municípios para detecção precoce do câncer de boca. “É de fundamental importância que o olhar dos profissionais dos serviços de atenção primária seja humanizado, pois, apesar de vivermos num mundo onde as informações circulam de forma rápida, muitas pessoas ainda não tem acesso aos conhecimentos, sobretudo no contexto da prevenção e cuidados para com a saúde”, acrescentou Dhyeime Marques.

A médica do serviço de radioterapia do Hospital Dílson Godinho, sediado em Montes Claros, Adriana Aguiar reforçou que no caso do câncer de boca “constantemente recebemos pacientes da região e até do Sul da Bahia com a doença em estágio avançado. A situação é grave, mas acreditamos que a realização da 1ª Oficina de Detecção Precoce do Câncer de Boca se constituirá um marco na mudança da realidade dos serviços de atenção primária do Norte de Minas o que, até então, era apenas um sonho dos profissionais da região”, completou a médica.

Na mesma linha de raciocínio o coordenador do Núcleo de Atenção Primária da Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros, João Alves Pereira lembrou que grande parte da população do Norte de Minas é dependente do Sistema Único de Saúde – (SUS) e, por isso, é preciso que os gestores da região articulem ações voltadas para a melhoria do acesso das pessoas aos serviços de saúde. Segundo o coordenador, “45% da população da região vive na zona rural; apenas 2% da população tem plano de saúde e 20% vive em situação de extrema pobreza. Nesse contexto, fica evidente a necessidade da maioria da população necessitar de apoio do poder público para ter uma melhor qualidade de vida, incluindo a saúde, devido às vulnerabilidades ainda existentes”, ressaltou João Alves.

Por sua vez a referência técnica em saúde bucal da SRS de Montes Claros, Denise Silveira salientou que a realização da 1ª Oficina de Cuidado Primário em Saúde “representa um start para mudança da realidade do Norte de Minas quanto à detecção precoce do câncer de boca. A Oficina vai além de uma capacitação ou qualificação profissional, pois, a partir da adesão dos municípios, estamos criando um novo modelo de trabalho para os serviços de atenção primária à saúde”.

A 1ª Oficina de Cuidado Primário em Saúde: Detecção Precoce do Câncer de Boca e Manejo do Paciente Oncológico foi realizada em Montes Claros dentro da Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, coordenada pelo Ministério da Saúde. O objetivo da Semana Nacional é estimular nos gestores municipais e na população ações preventivas, campanhas educativas, debater políticas públicas, apoiar atividades organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil.

Com a participação do cirurgião-dentista, Edmilson Martins de Freitas, doutor em ciências da saúde pela Unimontes, entre as discussões a Oficina abordou diretrizes para que os serviços de atenção primária dos municípios façam a adequação bucal de todos os pacientes que forem diagnosticados com qualquer tipo de câncer. Isso porque, antes do início do tratamento oncológico os médicos devem encaminhar os pacientes a um serviço de saúde bucal para avaliação e, se necessário, realização de adequações para que não ocorram infecções na boca em virtude da diminuição da imunidade.

Em 86 municípios que integram a região ampliada de saúde do Norte de Minas o SUS possui 517 equipes de saúde bucal, compostas por cirurgião-dentista, técnico e/ou auxiliar em saúde bucal. Toda equipe é responsável por um território que, em geral, concentra entre 2 mil a 4 mil pessoas.  As equipes que atuam na atenção básica são responsáveis por realizar minimamente ações de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde, buscando resolver pelo menos 80% das demandas apresentadas pelos usuários do SUS.

Além das equipes de saúde bucal, 37 municípios que integram a área de atuação da Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros possuem credenciamento de laboratórios de próteses dentárias. Até agosto deste ano os municípios já atenderam uma demanda de 7 mil 504 próteses dentárias pelo SUS, enquanto que, em 2018, foram entregues 9 mil 591 próteses. Além disso, a região possui 11 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) que atendem pacientes com problemas de saúde bucal mais complexos e que são encaminhados pelos serviços de atenção primária à saúde. (GA)