Núcleo de Apoio a Vida realiza live sobre Setembro Amarelo

o psiquiatra Gabriel Sapucahy

O Núcleo de Apoio a Vida de Montes Claros realiza hoje, às 20 horas, a última live da campanha Setembro Amarelo desse ano, quando abordará o tema “Suicídio: Mitos e Verdades”, com o psiquiatra Gabriel Sapucahy e os voluntários do núcleo, Mário Sabbadini e Kátia Duarte, em evento a ser transmitido pelos canais Navimoc no Faceboock e Youtube. No dia 26 será realizada uma apresentação para o Grupo de Escoteiros 99, de Montes Claros. No dia 30, deverá ser ministrada palestra no Lions Clube Montes Claros Sertanejo.

O Centro Viva Vida de Montes Claros disponibilizará um curso por aproximação digital (EaD) de Preparação e Seleção de Voluntários com o objetivo de captar novos voluntários. O curso, que terá início em 10 de outubro, tem duas etapas, duração de 32 horas, será online e as inscrições gratuitas. Para se tornar voluntário do CVV não é necessária formação específica, pois a entidade oferece apoio emocional e não atendimento psicológico ou psiquiátrico.

É necessário ter pelo menos 18 anos de idade, tempo disponível para os plantões semanais e reuniões mensais e estar disposto a acolher pessoas desconhecidas de maneira sigilosa e sem aconselhamentos. Aos interessados que querem entender melhor o que é se tornar um voluntário do CVV, há um vídeo de dois minutos que explica o assunto - https://www.youtube.com/watch?v=fMj8IQ44yW4

Durante este mês, é celebrado o Setembro Amarelo, campanha idealizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) para conscientização em relação ao suicídio, fomentando a prevenção e promoção da saúde mental. Com o objetivo de debater sobre o assunto, de uma maneira mais leve, mas com a seriedade devida, e uma instituição de ensino superior da cidade convidou o professor, pesquisador e psicólogo Carlos Alberto Siqueira Alexandre, que lembrou ser um evento mundial, que tem o dia 10 de setembro de cada ano como data referência para realizações que evitam suicídios.

A data foi escolhida devido ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Por sua vez, a cor amarela é usada para representar a prevenção: isso desde o acontecido com a Família Emme, nos Estados Unidos, onde em 1994, Mike, filho do casal, com apenas 17, se matou. Tirou a própria vida em seu Mustang 1968 amarelo. Seus amigos e familiares durante o funeral distribuíram cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike e a mensagem foi se espalhando mundo afora.

Mas como evitar uma situação como essa? Quais são os sinais que uma pessoa que pretende se matar costuma dar? O psicólogo explica que o determinante é uma dupla: a frequência e a intensidade. “Falar sobre suicídio ou querer morrer aumenta 30 vezes mais as chances; ter sintomas de depressão exagerados, persistentes – estima-se que nove em cada 10 desses casos, tentam se matar; praticar situações de risco de propósito: como dirigir bêbado, por exemplo; resmungos de adolescente, que vão de falsa calmaria, seguida de muitas reclamações; falas saudosistas (por que na mente do potencial suicida não há futuro).

A pós-tentativa de suicídio ou o ato concretizado são devastadores, matam um pouco de quem ficou. Portanto, também afetam as pessoas ao entorno”, afirma. Carlos Alberto esclarece ainda que, geralmente, a dor na situação suicida parece que não vai passar nunca, por isso faz se necessário que aprendamos desde sempre a dialogar, ponderar e experimentar a vida com apoio de alguém. Partindo dessa perspectiva, ele enumera algumas maneiras de como nós, enquanto família e amigos, que não somos profissionais da área podemos oferecer ajuda.

O primeiro passo é sempre endereçar ao médico, para eliminar causas de ordem médica e/ou a um psicólogo; saber que a força ou imposição não funciona. É necessário estabelecer confiança entre ambos, isso é, vincular-se afetivamente; outro modo é estimular a pessoa a encontrar sua fragilidade e auxiliá-la no fortalecimento dessa; estimular a cultura da PAZ e não de cultivar o ódio, pois como consequência ter-se-á o ato do suicídio; frente ao ato de suicídio: deve-se estar calmo, seguro, confiante, buscando o estabelecimento da confiança, pois a pessoa está em estado de resignação; a vida, o trabalho e  as relações familiares devem ser encarados como prazer e não castigo. Daí a necessidade de apoio. Viver vale o prazer de viver e não a pena. (GA)