Pesquisadora de Montes Claros alerta sobre isolamento social

Francine Fonseca, do Instituto de Ciências Agrárias

A servidora Francine Fonseca, do Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais, publicou um estudo, junto com outros profissionais, alertando a população de até que seja comprovada a eficácia de uma candidata à vacina contra o novo coronavírus, o isolamento social e hábitos de higiene e limpeza ainda são as únicas formas de prevenção. A equipe de pesquisadores reuniu informações sobre os tipos de saneantes disponíveis no mercado, os modos de ação sobre o vírus e suas recomendações de uso. Francine Fonseca destaca que desde o início da pandemia, foram divulgados dados sobre o aumento dos casos de intoxicação com produtos de limpeza, além do registro da alta procura por álcool em gel no mercado, embora não seja o único produto eficaz contra o coronavírus.

De acordo com Francine, o maior aliado do consumidor contra as intoxicações está no próprio produto: o rótulo, que reúne as principais informações sobre a composição e recomendações de uso. Mas o excesso de linguagem técnica em tamanho reduzido é um dos empecilhos para o entendimento. “A indústria de saneantes tem muita preocupação em manter o controle de qualidade e o controle de processo. Os rótulos deixam essas informações disponíveis. Temos muitas críticas aos rótulos, talvez seja o momento de demandarmos das empresas que decodifiquem essa informação para alcançar o público”, ressaltou.

Em maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nota técnica informando o crescimento dos casos de intoxicação com estes produtos. Apesar da quantidade de informações confiáveis disponíveis, a pesquisadora chama atenção para a divulgação de notícias falsas pelas redes sociais. “Muitos procedimentos são condenados pela Anvisa e, ainda assim, são muito difundidos pelos aplicativos de mensagens. Orientamos que os produtos sejam utilizados em concordância com as orientações do fabricante”, reforçou.

A análise dos pesquisadores foi publicada no volume 43 da revista Química Nova. Na publicação, são expostos os principais saneantes de uso comum regularizados pela Anvisa. “A proposta foi explicar um pouco do mecanismo de ação, qual a concentração ideal, para que as pessoas entendam a motivação de utilizar aquele produto”, comentou a pesquisadora.  No documento, são detalhados os álcoois, os sais quaternários de amônio, os fenóis e compostos fenólicos, o cloro e seus derivados e os peroxigênios. A pesquisadora chama atenção para as indicações de uso dos produtos. “Por exemplo, fenol não é interessante para ambientes com crianças, embora seja encontrado em produtos de limpeza muito conhecidos. É um saneante eficiente, com ação contra o coronavírus, mas é preciso cuidado com intoxicações”, apontou.

No caso da desinfecção de alimentos, Francine destaca preocupação. “Não podem ser utilizados álcoois nem fenólicos. O hipoclorito de sódio é recomendado e apenas em concentração baixa” explicou. Além disso, não se deve usar vinagre ou bicarbonato de sódio contra o novo coronavírus, pois esses produtos não são efetivos para esta finalidade. Já os sais quaternários de amônio são os mais indicados, de acordo com a pesquisadora, para desinfecção de pisos e banheiros, pois "são moléculas encontradas em desinfetantes em geral. Além de Francine, também assinam a publicação “A química dos saneantes em tempos de COVID-19: você sabe como isso funciona?” a professora Maria Lair Saboia, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, o professor Ramon Almeida, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, e a professora Caroline Gonçalves da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). (GA)