Software do Norte de Minas sobre Covid-19 publicado em revista internacional

Os norte-mineiros que fizeram parte da equipe

A revista internacional Chaos, Solitons & Fractals: An interdisciplinary journal of nonlinear science, da Elsevier publicou o artigo Covid-ABS: Um Modelo da Pandemia Covid-19 Baseado em Agentes para Simulação dos Efeitos Sanitários e Econômicos de Intervenções Sociais de Distanciamento, de professores do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, que é uma ferramenta útil para auxiliar as autoridades públicas e de saúde a pensar em ações de combate à Covid-19 a partir de simulações que avaliam os impactos de diferentes cenários em relação ao nível de isolamento social e a combinação dessas possibilidades com o uso de máscaras faciais. Essa é, em linhas gerais, a proposta do software Covid-ABS, que está detalhada no artigo.

Os autores do artigo são Petrônio Cândido de Lima e Silva, Paulo Vitor do Carmo Batista e Hélder Seixas Lima, professores de Informática do IFNMG-Campus Januária; Marcos Antônio Alves, doutorando da UFMG; Frederico Gadelha Guimarães, professor da UFMG; e Rodrigo Pedrosa Silva, professor da UFOP. Petrônio é também o coordenador geral de desenvolvimento do software e do projeto de pesquisa, financiado pelo Edital nº. 21/2020 do IFNMG – Chamada Interna de Apoio a Projetos de Pesquisa, Inovação e Extensão para o Enfrentamento da Emergência de Saúde Púbica decorrente do Coronavírus (Covid-19), que tem a colaboração da UFMG e UFOP.

No artigo, os pesquisadores apresentam os resultados de simulações computacionais da dinâmica epidemiológica da doença em conjunto com alguns fluxos socioeconômicos, com o propósito de medir a eficácia de algumas políticas de combate à pandemia e respectivos efeitos. Por meio do software Covid-ABS, foram analisados sete diferentes cenários em relação ao distanciamento social da população, com variados efeitos epidemiológicos e econômicos: não fazer nada; lockdown, quando há total isolamento da população por tempo e prazo definidos; lockdown condicional, em que o início e término não são previamente definidos, mas dependem da evolução das taxas de infecção; isolamento vertical, em que apenas as pessoas de grupos de risco, mais susceptíveis à doença, ficam isoladas; isolamento parcial, que atinge apenas uma porcentagem da população; uso de máscaras faciais; e uso de máscaras faciais juntamente com 50% de adesão ao isolamento social.

Os resultados da pesquisa apontam que a solução mais eficaz para combater o avanço da Covid-19 é o lockdown total, aliado à realização de testes em massa. No entanto, os pesquisadores concluíram que, “na impossibilidade de implementar cenários com bloqueio, que apresentam o menor número de mortes e maior impacto na economia, cenários que combinam o uso de máscaras faciais e isolamento parcial podem ser os mais realistas para a implementação em termos de cooperação social.” Segundo eles, os resultados também indicam que as políticas adotadas por alguns países que optaram por preservar a economia sem lançar mão de severas medidas de isolamento social, a exemplo do Brasil e dos Estados Unidos, foram ineficazes no sentido de preservar vidas e, ainda, acabaram por gerar custos sociais que impactaram negativamente a economia.

Para além dos cenários analisados, os criadores do Covid-ABS explicam que o software poderá ser usado para projetar novos cenários, levando em consideração as especificidades de cada região a ser estudada. Além disso, o programa será integrado às bibliotecas de otimização, para criação automática de cenários e decisão de vários critérios e ferramentas que possam ajudar os comitês governamentais de crise a planejar e gerenciar as políticas sociais para mitigar os efeitos da Covid-19. “Nosso software é uma biblioteca de programação, gratuita e de código aberto. Qualquer pessoa com um pouco conhecimento na área já consegue utilizá-la, temos até demonstrações de como fazê-lo”, explica Petrônio. No entanto, para que o programa tenha maior usabilidade e possa ser melhor explorado pelos agentes públicos, no esforço de conter a pandemia e seus impactos, a equipe trabalha, agora, para criar uma interface intuitiva com os usuários. Segundo o professor, esse trabalho deve ser concluído em breve.

Os responsáveis pela pesquisa seguem, ainda, com as providências necessárias para registro do software. O trâmite começa no Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do IFNMG, que encaminha o pedido de registro ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Petrônio conta que a pesquisa que originou o Covid-ABS surgiu como uma “ferramenta didática para simular os efeitos da pandemia”, mas evoluiu, seguindo na esteira da própria doença, que avançou rapidamente, e da consequente urgência em termos de pesquisas científicas com esse foco. “Dado o feedback positivo, evoluímos a ferramenta para incluir mais detalhes de processos epidemiológicos, sociais e econômicos, chegando ao formato atual”, relata. (GA)