Traumas decorrentes de acidente de motos são responsáveis por 20% dos atendimentos no HU

Pronto Socorro, “porta de entrada”, registra 20% dos casos de traumas por acidentes
Foto: Wallace Souza

A violência e imprudência no trânsito refletem diretamente no sistema de saúde do Brasil. Como alerta, neste sábado (27), data reservada como o Dia Nacional do Motociclista, o Hospital Universitário Clemente de Faria, reforça o alerta para os altos índices de atendimentos no Pronto Socorro relacionados às vítimas de traumas causados por acidentes no trânsito envolvendo motos.

Segundo dados do setor de Núcleo de Vigilância Epidemiológica em Ambiente Hospitalar (Nuveh), 20% de todos os atendimentos no Pronto Socorro, que é considerado como “a porta de entrada do HUCF” envolvem traumas em ortopedia.

O médico ortopedista e diretor clínico do HUCF, Romero Iago Freitas Mendes, explica que este tipo de acidente tem como consequência o óbito ou mutilações e perdas de membros inferiores, principalmente.

“No trânsito, é preciso ter cautela, zelar pela segurança, ter uma direção defensiva. No caso do motociclista, esta atenção deve ser redobrada, pois em batidas laterais ou frontais com outros veículos as motociclistas sempre levam desvantagem. É preciso respeitar os limites de velocidade, placas de sinalização e acima de tudo ter amor e respeito à vida”, ressaltou o ortopedista.

O médico também ressalta que em todo o ano passado, o HUCF atendeu 13.794 casos de ortopedia e traumatologia, o que correspondeu a 20,9% do número total de atendimentos por especialidade. Este ano, entre janeiro e junho, já foram 8.007 atendimentos de ortopedia e traumatologia no HUCF ou 20,11% do total de atendimentos por especialidades.

 

Números preocupantes

 

Segundo dados do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), a motocicleta é o veículo que mais matou no Brasil em 2016. Das 37,3 mil mortes ocorridas no trânsito, elas representaram 32% do total.

Dados estatísticos de atendimentos do SAMU192 apontam que o número de vítimas envolvidas em acidentes de trânsito na região Macro Norte (86 municípios) foi de 4.339, com média mensal de 362 vítimas e 59% dos casos de acidentes no trânsito em 2018.

Em Montes Claros, em todo o ano passado foram registrados 1.998 acidentes ou 65% do total de acidentes atendidos pelo SAMU192.

Somente nos seis primeiros anos do ano passado, 2.198 acidentes envolvendo motos foram registrados na região. Este ano, o número caiu para 2.028. Queda de 8%. Entre janeiro e junho deste ano, os números apresentados pelo SAMU192 apontam queda de 1%. Eram 1.030 e agora somaram 1.019.

 

Frota em Montes Claros

 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Montes Claros fechou o ano de 2018 com uma frota de motocicletas equivalente a 216.885 veículos emplacados. Deste total, 89.975 mil veículos são motocicletas, motonetas, ciclomotor e triciclos.

Em um rápido levantamento do IBGE, entre os anos de 2006 e 2018, o número de motocicletas no município subiu de 31.943 para 75.608. Um crescimento de 136,69%. As motonetas eram 3.998 em 2006 e em dezembro de 2018 somaram 13.696. Aumento de 262,57%. Já os ciclomotores representavam 121 em 2006 e subiram no ano passado para 519. Crescimento de 328.92%. E os triciclos que eram seis, somaram 152 em dezembro passado. Crescimento de 2.433,33% entre 2006 e 2018.