Veterinária pediu fim dos galinheiros para acabar leishmaniose

Foto: GIRLENO ALENCAR

A veterinária Marília Fonseca Rocha, do Centro de Controle de Zoonose de Montes Claros, pediu o fim dos galinheiros na cidade, como forma de acabar com a transmissão da Leishmaniose Visceral, quando a doença é transmitida por cachorros. Ela participou da audiência pública realizada pela Câmara Municipal para discutir a situação da Leishmaniose, quando afirmou que a cidade apresenta uma media de 33 casos por ano, o que levou o Ministério da Saúde a selecionar Montes Claros para a partir de 2020 distribuir coleiras para os cães. A veterinária alertou ainda que o Grande Independência, Maracanã/Alterosa e Vila São Francisco/Vila Atlântida apresentam altos índices, precisando de uma atenção especial.

Para agravar a situação, explica que o Sistema Único de Saúde não pode pagar esse tratamento e que a aplicação de três doses de vacina, como ocorre atualmente, custa de R$ 150,00 a R$ 180,00. A sua esperança é que uma vacina usada na Europa, com apenas uma dose, chegue a Montes Claros. A coordenadora citou ainda que Montes Claros faz em média 12 mil exames por ano de cães em Montes Claros, salientando que tem um pequeno exército nessa tarefa. Citou também que no Grande Independência foi realizado trabalho com 38.500 animais, quando notou que o inseticida não surte mais efeito.

A secretaria municipal de Saúde, Dulce Pimenta citou que uma das causas para os indicadores da Leischmaniose é que o setor estava desestruturado até 2017 e que a escolha da cidade pelo Ministério da Saúde para usar a coleira nos cães é um avanço, pois esse modelo é mais eficiente do que a vacinação. Adriana Alves, de Uberlândia, explica que foi apresentado projeto na Câmara dos Deputados em 2011 para o Governo Federal garantir o combate e prevenção a Leishmaniose, mas até agora o projeto não foi aprovado. Citou que acima do tratamento, tem de ser realizado a castração. A protetora de animais, Aline Matos, afirma que são mais de 20 mil pessoas envolvidas em Montes Claros nessa causa e acusou o Poder Publico de irresponsável por se omitir e deixar com a sociedade as ações. Denunciou que a eutanásia de animais ocorre em Montes Claros por técnicos, sem estarem preparados, pois os veterinários não participam do ato.  O pesquisador Silvio Carvalho, consultor do Ministério da Saúde nessa área, lamentou que ações isoladas não surtem efeito e o combate é insuficiente.

Um levantamento feito pelo Hospital Universitário Clemente de Faria mostrou  uma situação alarmante: até 2012 as regiões com maior número de casos humanos em Minas, são Montes Claros, as regiões da grande Belo Horizonte e leste do estado, o número de casos de leishmaniose tanto no homem quanto nos cães cresceu cerca de 72% em 2017. Em Montes Claros, de Janeiro a Junho de 2016, ocorreram 114 atendimentos de casos de leishmaniose visceral humana e em 2017, no mesmo período, foram 196 atendimentos. Um crescimento de 71,9%. (GA)