As máscaras que nos revelam grandes valores

Nesta era ultramoderna a qual vivemos com altas tecnologias, velocidades e instantaneidades nas relações, informações e formas; nos mais diversos dizeres e compreensões, por vezes, nos falta o essencial. E não é difícil constatar isso! Veja só, com essa pandemia da covid19 tivemos irrefutavelmente que modificar muito em nós em nossas relações. E tudo isso se faz em razão de um microscópico vírus que se assentou e tomou conta do mundo. Hoje não podemos mais com naturalidade nos abraçar e, ainda não podemos nos beijar como antes. E, além disso, apertar a mão do amigo, do vizinho ou dos familiares pode parecer algo incrível. Nossas saudações físicas agora, em prevenção ao coronavírus, são realizadas apenas com um gesto simples de tocar os cotovelos! Nossa aproximação nesta pandemia, hoje é somente com um olhar. Não sabemos mais se alguém está triste ou alegre até que dê uma gargalhada ou levante a voz! Os sorrisos e as bocas estão escondidos! Todos agora literalmente vivem atrás de uma máscara! Alguns até arrojam modelos de máscaras para, quem sabe, se fazerem mais presentes, mais afetuosos!

Essa pandemia mundial surgiu como a uma tempestade que dilacera. Muitos não acreditaram e infelizmente se tornaram vítimas. E há ainda quem não compreenda! Na verdade existem aqueles que só acreditam quando algo acomete a eles. Sem perceber, vivem ainda como o conhecido São Tomé que para crer, tem que ver! E não basta ver nos noticiários, não, tem que acontecer do lado dele mesmo para se tornar real! Talvez esse seja um aprendizado de boa parte da humanidade neste momento. Havia pessoas que não lavavam as mãos a não ser que realmente houvesse sujeira muito latente. Outros que não cuidavam tão bem de si e, vez em quando, mantinham uma higiene venenosa. Lado outro, esse isolamento social também serviu para nos reinventarmos, para reaprendermos a viver! Já ouvimos em muitos depoimentos, dizerem que antes eram hóspedes em suas casas, que hoje realmente estão habitando seu lar! Há quem não mais prestava atenção aos seus! E agora teve que reconhecer quem é que vive ao seu lado! E então descobriu gostos em comum ou diferenças que antes não se apresentavam.

De outro modo é possível dizer que por vezes vivemos iludidos, em aspiração a algo totalmente impalpável. E agora voltamos às raízes, voltamos ao começo. Enquanto estávamos convencidos de que tínhamos que somente subir os degraus, podemos perceber que a subida é muito interessante, mas retornar a origem pode nos instruir completamente sobre qual é o sentido de tudo que construímos, de tudo que buscamos diariamente. Sem esse alicerce não seria possível continuar a escalada! E essa, indubitavelmente, é uma das lições que o flagelo viral mundial nos ensina - que por mais que sejamos sofisticados, eloquentes ou rebuscados, sempre teremos que retornar à simplicidade de sermos nós mesmos para que o sentido da vida se aperfeiçoe. Para que possamos notar e contemplar a natureza ao nosso redor e para que valorizemos cada momento na presença do outro em vida, em saúde e em paz!

 

(*) 1º Tenente PM – Comandante da 145ª Cia/10º Batalhão PM.