CONFLITO AGRÁRIO | Dono de fazenda seria mentor de ataque a tiros

Suspeito foi identificado pela polícia como Leonardo de Andrade e está foragido da Justiça

 

A Polícia Civil confirmou, na manhã dessa segunda-feira (12), que o ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável de Montes Claros, Leonardo de Andrade, seria o mentor intelectual do atentado a tiros, registrado no último dia 8 e que feriu seis integrantes da Frente Nacional de Luta (FNL), um deles com gravidade. O suspeito é dono de uma fazenda invadida pelo grupo, em Capitão Enéas.

De acordo com o chefe do 11º Departamento da Polícia Civil (PC), delegado Renato Nunes, o mandado de prisão temporária foi expedido pela Justiça no domingo (11) e seria cumprido no mesmo dia, durante a operação conjunta Paz no Campo, porém Léo Andrade, como é conhecido popularmente, conseguiu fugir da polícia. Além dele, segundo o delegado, também são considerados foragidos Bernardo Alexandre de Andrade e Júlio César Cardozo Torquato, respectivamente irmão e amigo de Leonardo.

Na operação 10 mandados de busca e apreensão cumpridos em Belo Horizonte, Montes Claros e Capitão Enéas. Segundo a PC, em um apartamento onde reside a mãe de Leonardo policiais civis apreenderam duas munições de calibre 12, 64 munições de calibre 22, um caderno de anotações com endereços e telefones diversos, dois cofres e equipamentos eletrônicos.

De acordo com o tenente-coronel Gildásio Rômulo Gonçalves, comandante da 11ª Companhia de Policiamento Especializado da PM, na operação Paz do Campo um integrante da FNL foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. O suspeito, de 22 anos, foi surpreendido pela chegada de equipes da PM, que cumpririam mandados judiciais na fazenda invadida. Com o suspeito os militares apreenderam uma espingarda de calibre 28 e cinco munições do mesmo calibre.

Segundo o tenente-coronel, desde a quinta-feira (8), quando o atentado aconteceu, equipes da PM são mantidas na fazenda para evitar que novos confrontos sejam registrados. Na ocasião cerca de 20 suspeitos chegaram à propriedade rural e começaram a atirar nos integrantes da FNL. Houve troca de tiros e, entre os feridos, está o líder do movimento sem-terra, Tiago Coimbra, que foi baleado no peito e permanece internado.

As ações policiais já renderam a captura de 13 suspeitos de envolvimento no crime, entre eles, segundo a Polícia Civil, a gerente da fazenda, Andreia Beatriz da Silva, e um advogado. Ainda segundo o delegado Renato Nunes, a PC trabalha quatro inquéritos policiais que têm a fazenda como local de crime. Dois dos procedimentos teriam os responsáveis pela fazenda como autores e outros dois os integrantes da FNL como autores. Em um dos casos, inclusive, segundo Nunes, Tiago Coimbra seria autor de uma tentativa de assassinato contra Andreia Beatriz.

No dia do crime (8/3) a PM chegou a prender suspeitos e apreender armas de fogo, o que se repetiu na sexta-feira (9/3), quando 11 armas de fogo, dinheiro e grande quantidade de munição foram apreendidas com suspeitos pelo ataque. Segundo o tenente-coronel Gildásio, o conflito se arrasta desde janeiro de 2017, quando a fazenda foi invadida.