Ex-chefe da Polícia Civil relata ingerência política

Andrea Vacchiano participou de audiência que debateu áudio que mostraria suposto aparelhamento da corporação

 

A ex-chefe da Polícia Civil, delegada aposentada Andrea Claudia Vacchiano, participou, nessa terça-feira (10), de audiência pública da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e relatou o que seria uma tentativa de ingerência política na instituição.

O objetivo da reunião era discutir áudio divulgado pela imprensa que mostraria suposto envolvimento de integrantes da Polícia Civil e agentes políticos com vistas a aparelhamento da corporação.

O caso veio a público em junho, em áudio exibido pela "Rede Record" e pelo "Portal R7". Na conversa, o atual chefe da Polícia Civil, João Octacílio Silva Neto, fala com um então assessor do deputado Durval Ângelo (PT), solicitando uma reunião com o parlamentar.

João Octacílio parece sugerir substituições na Polícia Civil e cita o deputado federal e então secretário de Estado de Governo, Odair Cunha (PT-MG), e a então chefe da corporação, Andrea Vacchiano. Ela seria substituída pelo próprio João Octacílio, semanas depois.

Presente na audiência, Andrea Vacchiano contou que foi cobrada, em reunião com Odair Cunha e com o vereador Wellington Magalhães (PSDC), por não atender aos pedidos do vereador. Wellington Magalhães é investigado e chegou a ser preso por supostamente fraudar licitações na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Segundo ela, os pedidos de Wellington Magalhães se tratavam, em sua maioria, de transferências de policiais. Andrea Vacchiano afirmou que explicou ao parlamentar que todos os pedidos de transferências recebidos, independentemente da origem, eram alvos de análise técnica e que muitos foram negados diante da falta de recursos humanos na Polícia Civil.

A delegada ainda defendeu a aprovação de projeto para que o chefe da Polícia Civil seja escolhido a partir de lista tríplice com o objetivo de garantir que não haja ingerência do governo na instituição. Segundo ela, o fato de a escolha ser feita pelo governador evidencia essa subordinação.

O presidente da Comissão de Segurança Pública e autor do requerimento, deputado Sargento Rodrigues (PTB), defendeu a exoneração de João Octacílio como chefe da Polícia Civil e condenou o teor do áudio, que, segundo ele, causou repulsa. “Mais parece uma conversa de organização criminosa”, apontou. O parlamentar pediu providências para os órgãos cabíveis, em especial da Corregedoria da Polícia Civil.

O deputado João Leite (PSDB) criticou a escolha de João Octacílio para chefe da Polícia Civil, que teria sido uma opção político-partidária. Para ele, Andrea Vacchiano foi retirada do cargo por não aceitar influências políticas em suas decisões. Ambos os deputados elogiaram a atuação da ex-chefe da corporação.

Operações policiais - Já o deputado Paulo Guedes (PT) defendeu a gestão de João Octacílio à frente da Polícia Civil. Segundo ele, a substituição na chefia da Polícia Civil foi puramente técnica, não havendo nenhuma motivação política. De acordo com ele, na nova gestão já foram feitas mais de 70 operações policiais, enquanto que na anterior nenhuma operação teria sido realizada, informação que foi contestada por Andrea Vacchiano.

O parlamentar ainda condenou a forma agressiva como estariam sendo tratadas as forças policiais em Minas Gerais. Para ele, a comissão está virando palco para se passar uma ideia de caos na segurança pública em Minas Gerais, além de denegrir a imagem dos chefes das polícias Civil e Militar.

O deputado Sargento Rodrigues defendeu o trabalho da Comissão de Segurança Pública, que segundo ele realiza o maior número de audiências entre as comissões permanentes da Assembleia. Ele também voltou a denunciar "maquiagem de dados" estatísticos sobre a área em Minas, segundo ele, para impedir que a realidade da segurança seja mostrada à sociedade. (ALMG/Ascom)